08 de julho de 2026
Articulistas

Sem prazo para terminar

Zarcillo Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

Há quem defenda que a Operação Lava Jato, e suas variantes, tenha que caminhar para uma “definição”. A tese é sustentada nos meios políticos e tem como arauto o ministro-chefe da Casa Civil Eliseu Padilha. Considera que o país precisa de menos turbulência para se recuperar. Como se o combate a corrupção devesse se subordinar às conveniências políticas e econômicas quando, o que nos levou a essas dificuldades foram os bilhões desviados no petrolão.


As investigações devem terminar quando não houver mais nada a investigar. A guerra à corrupção não pode ter prazo e nem limites. Quem pensa diferente, ou é muito ingênuo ou está de má-fé. Ainda mais agora que se chegou tão perto da cúpula do poder petista, com a Operação Custo Brasil. Desde a prisão de José Dirceu não vinham às redes peixes tão grandes. A prisão preventiva de Paulo Bernardo, ex-ministro tanto de Lula quanto de Dilma Rousseff é agravado pelo fato de ser marido da senadora Gleisi Hoffmann, que também foi ministra e vinha se destacando como defensora da presidente afastada. Outro que está preso é o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira, casado com a ex-ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campelo. Nem a sede nacional do Partido dos Trabalhadores em São Paulo escapou da devassa da Polícia Federal.


Agora, não se trata sequer dos seguidos assaltos à Petrobras. O esquema montado pelo então ministro do Planejamento Paulo Bernardo, desde 2005 até o final do governo Lula desviou R$ 100 milhões. Os lesados não são os impessoais cofres públicos, mas servidores públicos que tomaram empréstimos consignados e pagavam, compulsoriamente, uma taxa a título de custo da operação. De acordo com a investigação, 70% dessa taxa ia para os cofres do PT e de seus candidatos e 30% ficavam com a Consist, a empresa encarregada do sistema de operação, escolhida sem licitação. De cada R$ 1 recolhido, R$ 0,70 viravam propina. O Serpro faz hoje o mesmo gerenciamento por R$ 0,13. Trata-se de crédito com zero de inadimplência, já que o próprio governo desconta a parcela do salário ou do benefício.


As informações levantadas pela força-tarefa demonstram, mais uma vez, que a estrutura do governo esteve a serviço dos projetos petistas de poder.  A novidade menos importante da Operação Custo Brasil, mas nem por isso menos auspiciosa, foi o fato dos mandados de prisão e apreensão partirem da Vara Criminal Federal de São Paulo. As investigações estão a cargo do Ministério Público do nosso Estado. Agora não é só Curitiba que trabalha para pôr fim à rede de desvios. A investigação relativa à Consist, é consequência do fatiamento promovido pelo Supremo Tribunal Federal. O que não está diretamente ligado ao petrolão, será investigado na origem.  Essa decisão chegou a ser comemorada pelo governo Dilma, como se ficasse livre do juiz Sergio Moro. Seria o fim da Operação Lava Jato. O que não contava é com a mesma diligência. Justiça Federal e Polícia Federal trabalham em unidade nacional no combate ao crime.  


O nome da Custo Brasil foi inspirado na ideia do peso que a corrupção representa para o país. O delator que levou à prisão do ex-ministro Paulo Bernardo foi o ex-vereador do PT em Americana, Alexandre Romano, conhecido como “Chambinho”. Ele integrou a comitiva do então presidente Lula em uma viagem à África em 2007. Era considerado um “facilitador de negócios” com bancos oficiais, a troco de comissão. A construtora Engevix foi uma das aquinhoadas com empréstimo de R$ 260 milhões do Banco do Nordeste. Na mesma operação a Polícia Federal levou para depor o empresário Carlos Cotegoso, conhecido como “Garçom do Lula”. Dono de empresas sem sede e sem capital, que receberam milhões de reais para prestar serviços a campanhas petistas.


Falta a delação de Marcelo Odebrecht e de outros diretores de grandes empreiteiras.  Dói ver que os operadores de milhões de reais desviados estão sendo beneficiados com prisões domiciliares a serem cumpridas nas mansões que ainda sobraram. É o preço da revelação de todo um sistema corrupto. Pelo menos, quem se beneficiou com o crime ainda terá pesados motivos para dormir preocupado.   


O autor é jornalista e articulista do JC