No dia 31 de maio servidores docentes e técnicos administrativos da Unesp Bauru deflagraram greve, reivindicando o reajuste salarial proporcional à inflação, além da manutenção da universidade pública, gratuita e inclusiva. No entanto, além dessas categorias, os estudantes da Unesp-Bauru também estão em greve e reivindicam suas próprias pautas.
Ainda que o Movimento Estudantil reconheça a legitimidade da luta dos servidores e os apoie, nós, estudantes, temos nossas próprias bandeiras, e no dia 1º de junho também deliberamos pela greve de nossa categoria, em Assembleia Geral com mais de 1.500 estudantes. Atualmente, são 12 campi da Unesp que contam com greve estudantil em todo estado. Em Bauru, o leque de pautas do Movimento Estudantil é muito grande, no entanto, as prioritárias são três: a permanência estudantil, a contratação de professores efetivos e a paridade de representação nos órgãos colegiados.
A permanência estudantil diz respeito a oferecer condições para que o aluno possa manter-se na universidade após seu ingresso. Em 2018, 50% de todas as vagas da Unesp serão destinadas a alunos cotistas, que, em geral, necessitarão de auxílios. Além disso, inclui-se a questão da moradia estudantil, que tem uma capacidade muito aquém da necessidade do câmpus e hoje abriga 64 moradores em uma casa que comporta apenas 32; entra também a questão do Restaurante Universitário, que oferece apenas 300 refeições e apenas no período do almoço, embora nosso câmpus tenha mais de 6.000 alunos – a maioria no período noturno.
Ainda em permanência inclui-se a questão de acessibilidade a deficientes físicos no câmpus e a limitação das vagas ofertadas a estudantes para seus filhos no CCI, a creche que atende aos professores, técnico-administrativos e discentes da Unesp. A contratação de professores efetivos diz respeito à enorme quantidade de professores substitutos nos departamentos: em alguns casos, eles chegam a ser maioria. Além de não terem as mesmas condições de trabalho dos efetivos, os substitutos não podem realizar atividades de pesquisa ou extensão, o que prejudica o andamento do processo pedagógico.
A paridade nos órgãos colegiados diz respeito à representação desigual entre as categorias nos espaços deliberativos da Universidade. Na maioria desses órgãos, nós, estudantes, somos uma minoria frequentemente silenciada – sem a devida voz, não temos meios oficiais efetivos para defender nossas reivindicações e posicionamentos, e a nossa contribuição para a construção de uma universidade melhor é dificultada.
O Movimento Estudantil enxerga essas necessidades como sintomáticas de algo maior – a precarização geral do ensino público brasileiro. Não “é a crise” – é um projeto de educação. Ele visa o sucateamento da universidade a fim de corroborar e consolidar o modelo neoliberal de educação: tornar o conhecimento uma mercadoria e isentar o Estado de cumprir sua obrigação de nos prover com uma universidade pública, gratuita, inclusiva e democrática. Dado esse quadro e o resgate histórico que nos mostra que só a mobilização é capaz de trazer conquistas concretas, os estudantes da Unesp de Bauru estão em greve – estão em luta!