09 de julho de 2026
Geral

Crianças africanas órfãs: lição de amor

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
Grupo de crianças do Kampala se apresentou na Igreja Batista Sul

Sorrisos, saudações e um mar de abraços apertados. Foi assim que 18 meninos e meninas órfãos africanos, do programa Watoto, em Kampala, na Uganda, receberam a equipe de reportagem do JC, para uma entrevista, na última terça-feira (21) em Bauru.

Convidados a se apresentarem na cidade, durante a 4.ª turnê pelo Brasil, as crianças emocionaram, não só a nossa equipe, mas também as pessoas que participaram da noite de coral na Igreja Batista Sul, localizada na altura da quadra 20 da avenida Getúlio Vargas.

Entre as vozes que entoavam canções gospel sobre amor e esperança, estava  a pequena Gorreti Nanduga, de 11 anos. Abandonada pelos pais aos 5 anos, pouco tempo depois de a guerra civil que devastou o País acabar, ela entrou para a Watoto. E, neste ano, foi selecionada para viajar o mundo cantando com o coral.

“A minha história não é muito feliz, mas no Watoto eu ganhei um lar e uma família. E não preciso pagar escola e nem me preocupar em ficar doente e ter que pagar por remédios”, conta a garota, em tom tímido. “Hoje, eu canto e danço. Mas, quando crescer, quero ser professora de primário”, acrescenta.

Importância

Watoto quer dizer ‘crianças’ em Suaíli, um dos 50 idiomas da Uganda, exceto o Inglês, que hoje se constitui como a principal língua. Philip Mugerwa, coordenador do coral, explica que o programa Watoto teve início após o final da guerra, há cerca de 10 anos, e tem como missão o resgate e reconstrução da Uganda.

Em Kampala, Capital do País, outras 3 mil crianças entre 2 e 13 anos são cuidadas pelo programa e vivem em três grandes vilas. “Elas são cuidadas por uma mãe, e vivem com sete outros irmãos em cada casa”, explica Philip.

À convite de igrejas, escolas, municípios e entidades, o Coral de Crianças Watoto viaja internacionalmente desde 1994  em favor da causa de cerca de 50 milhões de crianças africanas. “São pessoas que ficaram órfãs em resultado da Aids, da guerra, da pobreza, de doenças ou sofreram com o abandono da família. Cada uma das crianças que faz parte do coral sofreu a perda dos pais”, completa Philip.

Geração de renda

Durante as apresentações do Watoto, sejam em praças ou locais fechados, eles vendem artesanatos, CDs, DVDs e camisetas do programa.

“Tudo o que é arrecadado vai para a manutenção das vilas Watoto. Na Uganda, existem fazendas onde eles produzem a própria alimentação, o que sobra é vendido no mercado e também gera renda”, afirma Daniel Heinrichs, brasileiro representante do Watoto no Brasil.

O programa provê às mulheres e crianças cuidados físicos, médicos, incluindo tratamento de HIV/Aids, educação formal e profissionalizante, aconselhamento e discipulado.

Por aqui...

Em Bauru, os nove meninos, nove meninas e cinco monitores ficaram hospedados em casas de parceiros da Igreja Batista. O grupo chegou ao Brasil há duas semanas e deve ficar até setembro. Botucatu e Lençóis Paulista também receberam o coral. “É uma forma de fazer com que nós brasileiros tomemos conhecimento da cultura e da realidade da África, de forma menos distante e mais real” aponta Marcelo Madeira, pastor da Igreja Batista Sul, responsável pela vinda do grupo à Bauru.

Você sabia?

Uganda é um País sem ligação com o mar no leste da África. É o segundo País sem litoral mais populoso no continente africano. Em 1962, a Uganda ganhou a independência do Reino Unido. Desde então, enfrenta conflitos intermitentes.

Serviço

Mais informações sobre o Watoto podem ser obtidas por meio do site: https://www.watoto.com/brasil/#.V2muP6Kqm_s. Na página, é possível apadrinhar uma criança por US$ 38,00, envolver-se no projeto e convidar o coral para apresentações.