Há, e bem comum, uma curiosidade das pessoas sobre o início ou final de determinadas situações. Comumente, pergunta-se: como foi o início do namoro? E conforme você responde percebe no outro o olhar de admiração. O mesmo se dá quando se fala em final. Como foi que ele morreu? E você responde: desastre aéreo! E logo surge o interesse pelo final. Pipocam perguntas do tipo: onde o avião caiu? Morreram todos? Ah, coitado...
No caso do final o interesse ainda é maior. Tenho um amigo que, ansioso, costuma ler a última página do livro. Ele quer sempre saber o final sem, entretanto, degustar o miolo. Um ansioso de galocha. Um outro amigo permite que você conte todo o filme pra ele, mas não caia na bobagem de falar o final. Não, definitivamente o final ele mesmo quer assistir, apreciar e, quem sabe, chorar... Quanto ao resto, o meio do filme? Dane-se! O que importa para ele é o final.
Perceba como funcionam as novelas, séries e filmes. Todos querem saber o final e, claro, amam quando é feliz. Pouco importa se o cara apanhou a vida inteira, mas se o final for feliz está tudo ótimo. Pode-se dizer que o final feliz é uma espécie de prêmio para quem levou pancada boa parte do tempo. E isso consola. É o épico: o bem sempre vence o mal.
Realmente início e final são emblemáticos, românticos, interessantes e, não raro, emocionam. Chamam atenção do público, vendem jornais, rendem comentários, produzem a curiosidade. Aliás, quem não quer saber sobre o final da Lava jato? Entretanto, há entre início e final algo que se chama meio, ou, melhor dizendo: caminho. Se muitos perguntam como foi o início ou final, poucos querem saber do caminho, de como foi a caminhada ao longo de determinado percurso.
Contudo, será que início e final importam tanto assim? Ou o caminho é melhor, mais saboroso e onde encontramos a felicidade? Quê importa como alguém morreu? Importa muito mais como viveu. Se morreu de forma trágica, importa pouco, mas se caminhou a vida de forma trágica, importa muito.
Como conheceu alguém importa pouco. Mas como ao longo da convivência foram se conhecendo, importa muito. Respeito os amigos que gostam do início e do final, porém, prefiro o meio, prefiro o caminho... Pode parecer menos romântico, mas ainda assim prefiro o caminho...
E você?
O autor é colaborador de Opinião