08 de julho de 2026
Polícia

Acusado de estupros é descoberto em Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: Samantha Ciuffa
R.S.J. seria encaminhado à Cadeia de Barra Bonita; camiseta usada em dois crimes foi encontrada  na casa dele

Um homem de 36 anos foi preso acusado de estuprar duas mulheres e abordar outras duas em via pública, possivelmente, também com o objetivo de violentá-las. O acusado, mototaxista R.S.J. (apenas iniciais do nome divulgadas), acabou reconhecido por todas elas.

Os casos ocorreram entre novembro do ano passado e abril de 2016. A Polícia Civil ainda investiga, contudo, se o criminoso agrediu sexualmente outras duas mulheres e não descarta a possibilidade de ele ter feito mais vítimas.

Nos dois casos de estupro, R. obrigou as mulheres a entrar em seu carro, um Uno branco que serviu como pista para dar início às investigações policiais.

Em março, foi filmado por câmeras de segurança ao abordar uma universitária de 27 anos no Jardim Brasil. Com a ajuda do segurança de um estabelecimento das imediações, o ataque foi evitado.

“Ele abordava as mulheres tentando iniciar conversa para rendê-las. Como já tinha passagem por crime contra o patrimônio, montamos um álbum de fotos com suspeitos e mostramos às vítimas, que o reconheceram sem sombra de dúvidas”, diz a titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Priscila Bianchini.

Personagem

Os dois primeiros casos ocorreram em 23 de novembro, com minutos de diferença, próximo a pontos de ônibus da avenida Castelo Branco. As agredidas tinham 17 e 18 anos. Ontem, na DDM, ambas reconheceram o mototaxista e a camiseta com personagem Homer Simpson que usava no crime – e que havia sido apreendida horas antes pela Polícia Civil, na casa dele.

À reportagem do JC, as duas vítimas, hoje com 18 e 19 anos, relataram os momentos de pânico. “Ele começou a fazer perguntas e disse que tinha me reconhecido porque havia visto fotos minhas que teriam sido espalhadas pelo meu namorado. Falou que as fotos estavam no carro dele e ficou insistindo para eu ir ver. Por sorte, meu ônibus chegou e fui embora correndo”, relembra a jovem de 18 anos.

Canivete

Depois de 35 minutos, o mototaxista fez a segunda vítima sequencial. Ela tomaria um ônibus para o trabalho, quando R. se aproximou e perguntou se ela reconhecia a foto de um documento, que estava em uma carteira que ele havia acabado de encontrar.

“Eu tentei sair de perto, mas ele colocou um canivete na minha barriga e me obrigou a entrar no carro, dizendo que nada iria acontecer comigo se eu fizesse o que ele queria”, relembra.

O criminoso levou a vítima até um local no próprio Jardim Terra Branca e a obrigou a fazer sexo oral nele. “Eu chorava muito. Em dado momento, ele me deixou ir embora e fugiu”, conta.

No caso ocorrido no dia 9 de março de 2016, no Jardim Brasil, a universitária relatou que o mototaxista tentou convencê-la a ir para um matagal, momento em que o segurança de um estabelecimento próximo percebeu a movimentação e impediu.

No caso mais recente, ocorrido às 20h de 10 de abril, uma mulher de 53 anos foi obrigada a entrar no Uno do agressor, que a ameaçou com um estilete e a levou a um terreno baldio do Jardim Gaivota. Segundo a vítima, a conjunção carnal não foi concretizada porque uma testemunha armada viu a cena e afugentou o criminoso.

Vítima: ‘Ele sorria o tempo todo’

A vítima de 18 anos lembra que R.S.J. estava bem agitado, sujo e com as pupilas dilatadas quando a abordou. “Ele ficava gesticulando, tentando me convencer a ir até o carro dele. A impressão é de que se achava um sedutor, como se estivesse me cantando e eu, correspondendo. Em nenhum momento alterou o tom de voz e sorria o tempo todo. Era nojento”.

A jovem de 19 anos, estuprada logo depois, também conta que o mototaxista demonstrava contentamento. “Ele parecia muito feliz, mesmo me vendo chorar, mesmo me ameaçando, me obrigando a fazer sexo oral nele e vendo minha situação de desespero”, lamenta a vítima, que espera conseguir retomar a vida, após a prisão de seu agressor. “Nunca mais consegui andar a pé ou de ônibus sozinha, mesmo durante o dia. Espero que ninguém mais passe por algo parecido”, completa.

Preso temporariamente por 30 dias, R.S.J. responderá por estupro e importunação ofensiva ao pudor e seria levado à Cadeia Pública de Barra Bonita.

A delegada Priscila Bianchini pede para que eventuais vítimas ainda não identificadas procurem a DDM: avenida Rodrigues Alves, 23-23, Vila Cardia, em Bauru.