| Samantha Ciuffa |
| Maria Gadú surpreendeu durante apresentação no Sesc Bauru |
Quem só conhecia Maria Gadú dos CDs e outras gravações em estúdio, das músicas mais difundidas e suaves, certamente ficou impressionado com a potência e a capacidade dela de improvisar e brincar com as notas no show realizado no Sesc Bauru dia 29 de junho. Que vozeirão!
E se a primeira imagem quem vem à sua mente sobre ela é a de uma cantora doce da MPB com seu violão, surpresa: Gadú só largou sua guitarra vibrante em uma música. A até então sensual canção francesa “Ne me quitte pas” ganhou uma versão inusitada (e pesada), em que a artista tocou um instrumento de percussão.
Ela e sua banda deram show, literalmente. A formação, um pouco diferente da convencional: além de Maria Gadú na guitarra, o violoncelista Federico Puppi, italiano radicado no Brasil, o baixista Lancaster Pinto e Tomaz Lenz na bateria.
Como resultado, muita “sonzera”, ora dançante, ora de deixar a plateia paralisada, só curtindo. O show é do seu terceiro disco em estúdio, “Guelã”, lançado em 2015. Claro que várias músicas do seu primeiro disco, "Maria Gadú", a melhor estreia dos últimos tempos, estavam no repertório, só que em versões com mais pegada, às vezes, bem rock.
De fato, Maria Gadú é tímida. Ficou até um pouco escondida no palco, organizado em meia-lua. Agradeceu timidamente aos gritos dos fãs mais empolgados, mas foi se empolgando e elogiou o público: “Que vibe, hein?! A gente conseguiu esquentar o inverno aqui”.
Assim, ela foi se soltando, dançando e falando com o ginásio completamente lotado. E arrasou nas palavras. Sutilmente “militou” contra a chamada cultura do estupro, dizendo no meio de uma das músicas: “Quando a mulher diz ‘não’ é ‘não’!”; lembrou os que morreram porque exercem seu direito de amar (em referência ao atentado na boate LGBT nos EUA) e comentou abertamente o cenário político brasileiro, defendendo o respeito às diferentes posições e deixando a dela bem clara, soltando um “Fora Temer” bastante aplaudido pelo público.
Outro fato que merece registro é a alegria da cantora, compositora e instrumentista em fazer pela primeira vez na carreira o circuito Sesc. “Assisti muitos shows excelentes no Sesc, que contribuíram diretamente para a minha formação musical. E é uma honra estar aqui”. De fato, o Sesc merece aplausos pela perfeição na estrutura e pela rica programação cultural, com tantas opções gratuitas ou a preços bem acessíveis, como o show da Gadú. Inesquecível!
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