08 de julho de 2026
Internacional

Homens-bomba eram "soviéticos"


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O governo da Turquia anunciou ontem que os três autores do ataque ao aeroporto Mustafa Kemal Atatürk, em Istambul, vieram da Rússia e das ex-repúblicas soviéticas do Quirguistão e do Uzbequistão.

O anúncio foi feito no dia em que mais duas pessoas não resistiram aos ferimentos provocados pelas explosões, elevando para 44 o número de mortos. Outras 238 ficaram feridas, das quais 94 continuam internadas.

A polícia turca identificou um dos autores como o tchetcheno Osman Vadinov, morador do Daguestão, região de maioria islâmica no Cáucaso. Segundo os agentes, ele usou um passaporte russo para entrar na Turquia em maio.

No ano passado, afirmam os policiais, ele entrou no país e cruzou ilegalmente à Síria para chegar a Raqqa, bastião da milícia terrorista Estado Islâmico no país.

O jornal governista “Yeni Safak” afirma, com informações da polícia, que Vadinov seria ligado a Akhmed Chatayev, considerado pelos Estados Unidos o comandante da facção na Tchetchênia.

Embora tenham forte presença entre os combatentes na Síria e no Iraque, esta seria a primeira vez que russos e cidadãos da Ásia Menor participam de ataques terroristas para o Estado Islâmico. As informações foram divulgadas no dia em que as autoridades turcas prenderam 13 pessoas suspeitas de fazerem parte de células do Estado Islâmico em Istambul, Esmirna e Ancara. Dentre eles, estavam três estrangeiros.

Embora o governo turco tenha atribuído o ataque à facção, nenhuma de suas células reivindicou a explosão no aeroporto de Istambul.

O ataque foi o mais letal ocorrido na maior cidade turca desde 2003, quando caminhões-bomba explodiram em frente a duas sinagogas e ao consulado do Reino Unido, deixando 57 mortos.

Em discurso ontem, o ministro do Interior turco, Efkan Ala, voltou a dizer que as evidências encontradas até o momento apontam para participação do Estado Islâmico, mas ainda não há confirmação de que a facção terrorista esteja envolvida. Mais tarde, autoridades palestinas anunciaram que um menino palestino de 3 anos atingido pela explosão também morreu ontem. Sua mãe, que estava com ele no momento do ataque, morrera na terça-feira.

Terceiro mais movimentado na Europa, o aeroporto concentra voos de toda a região, o que explica a variedade na nacionalidade dos passageiros - e  uma das razões para ter sido atacado.