| Fotos: Malavolta Jr. |
| "A música é o diálogo de Deus com a gente" (Cristina Lima) |
| "A música torna a vida mais branda, mais leve e mais alegre" (Carlos Herrera) |
Os donos de duas das vozes mais belas e marcantes da música erudita de Bauru narram como descobriram e lapidaram o seu dom para a música. Nesta edição, você fica por dentro das principais notas pessoais e profissionais do tenor Carlos Herrera e da soprano Cristina Lima (nomes artísticos). Desde o berço, ele já era chamado de rouxinol. E foi ainda na infância que viu o seu interesse pela música clássica ser despertado. Na adolescência, esse dom foi lapidado pela maestrina Sônia Berriel. “Na época, ela tinha vários corais e eu participei de todos. Nunca mais parei de cantar”, lembra Carlos.
Já Cristina entoou suas primeiras notas em Botucatu, também na infância, quando a madrinha, professora de música, a colocou para cantar no rádio e na igreja. “Acabei não seguindo com a música, casei-me, tive filhos e, em 2007, assistindo ao filme O Fantasma da Ópera, lembrei que gostava da música e que precisava voltar a cantar”.
Sempre que possível, eles cantam juntos. E encantam a todos os que ouvem. Realizam apresentações em casamentos, igrejas, palestras... Leia mais.
Jornal da Cidade – Como vocês descobriram e lapidaram o dom para a música?
Carlos Herrera – Minha mãe, que me chamava de rouxinol, dizia que eu cantava ainda no berço. Eu ouvia os sons e imitava, ou seja, eu sempre me conectei automaticamente com qualquer tipo de som. Quando eu tinha uns 6 anos de idade, ela me colocou em um coral, onde cantei por uns três anos. Depois eu me distanciei porque queria me “enturmar” com a galera, aquela coisa de menino, e meus amigos não eram da arte. Aos 17 anos, eu voltei para a música através da maestrina Sônia Berriel. Na época, ela tinha vários corais e eu participei de todos. Nunca mais parei de cantar.
JC – A sua história também é parecida, Cristina?
Cristina Lima - Na verdade, eu tive um início e um retorno com a música, assim como o Carlos, mas levou mais tempo para eu voltar para ela. Quando criança, eu morava em Botucatu, minha madrinha era professora de música e me colocava para cantar na igreja e em programas de rádio. Eu também tocava piano. Fui “contaminada” para nunca mais esquecer da música. Isso durou até uns 15 anos. Acabei não seguindo com a música, casei-me, tive filhos e, em 2007, assistindo ao filme O Fantasma da Ópera, eu lembrei que gostava da música e que precisava voltar a cantar.
JC – E como foi o seu retorno?
Cristina – Não foi fácil. Eu comecei a buscar e a ouvir muitos “nãos”, porque eu já tinha 45 anos e, no meio musical, entende-se que pessoas com mais de 35 anos não podem começar mais nada. Isso me foi dito por professores de diversos países. Eu mandava e-mails, entrava em contato e ouvia isso. Mas não desisti. Até que a Sônia Berriel abriu vagas para o Coral Arte Viva. Ela foi a primeira pessoa que disse que a música era, sim, possível para mim. E eu preferi acreditar naquele único sim que eu tive. Fui para Ribeirão Preto, onde participei de Orquestra Sinfônica de lá, gravei um CD com eles, o que foi uma experiência maravilhosa.
JC – Quais são os outros projetos profissionais de vocês, além da música?
Cristina – Eu sou espírita e faço palestras e cursos usando a música como instrumento. Estou fazendo um curso de terapia sistêmica, e quero trabalhar com músicos e pessoas que querem seguir uma carreira na área. Como terapeuta, quero trabalhar para que as pessoas saibam como lidar com o seu talento de maneira inteira e íntegra.
Carlos – Eu sempre fui empresário e já passei por vários segmentos. Em um determinado tempo da minha vida, eu tive problemas com obesidade e precisei buscar informação. Tive um resultado incrível e hoje trabalho com a nutrição, o que me dá uma flexibilidade para também trabalhar com a música.
| Uma dupla erudita: Carlos Herrera e Cristina Lima |
JC – Você também é apaixonado pelo esporte, certo, Carlos?
Carlos – Qual criança que antigamente não subia em uma magrela e ganhava o mundo? Comigo era assim. Sempre fui apaixonado pela bicicleta. Mas eu parei e, já adulto, precisava encontrar uma atividade física. Me apaixonei novamente pela bike e chego a pedalar, em média, mil quilômetros por mês. Já pedalei um percurso de 147 quilômetros.
JC – Como vocês definem a música?
Cristina – É um dom divino. Eu acho que a música é o diálogo de Deus com a gente. Eu ouço música em tudo. Tudo o que a gente faz eu acredito que tenha uma canção.
Carlos – A música é a linguagem universal dos povos. Ela consegue transportar você para outra realidade e torna a vida mais branda, mais leve e mais alegre. Cantamos onde surgem as oportunidades. Já cantamos até em velórios. Normalmente isso acontece com quem tem conexão com a música.
JC – Vocês têm projetos ou sonhos que envolvem o canto?
Carlos - Cantar para mim é um estilo de vida. Estou trabalhando para me estruturar e, futuramente, poder me dedicar mais à música. Não com a pretensão de me tornar um cantor comercial, o que eu quero é desenvolver ainda mais a minha arte, que é algo que me transforma.
Cristina – Eu pretendo aprimorar a minha técnica, mas, principalmente, ajudar a quem tem vontade de cantar e não tem orientação, não tem suporte. A voz é quem você é, mas a gente precisa estimular e aceitar quem somos.
JC – Quais são as inspirações de vocês?
Carlos - Grandes tenores, como Plácido Domingo, José Carreras, Alfredo Crus, Amauri René, entre muitos outros. Eu tive muitas referências e o mais curioso é que em casa ninguém ouvia esses artistas. É algo que nasceu comigo. Eu fazia coleções sobre eles e, depois, descobri que tinha voz para cantar.
Cris - Eu compartilho dos mesmos nomes, mas também gosto muito de Maria Callas Sarah Brightman, Andrea Bocelli e estou ouvindo muito IL Volo e Il Divo.
Perfil dele
Carlos Eduardo
Bastos Marcos
Tem 42 anos e é do signo de Touro
Nasceu em São Paulo, mas veio para Bauru ainda na infância
É casado com Erika e pai de Laís e Leonardo
É apaixonado por música erudita
Seu livro de cabeceira é “Como fazer amigos e influenciar pessoas”
Tem um filme preferido, que é “A Vida é Bela”
É corintiano e seu hobby é pedalar
Nota 10: Para a maestrina Sônia Berriel
Nota 0: Para a conformação
E-mail: tenorcarlosherrera@hotmail.com
Perfil dela
Terezinha Cristina Alves Lima
Tem 53 anos e nasceu em Botucatu
É do signo de Áries e tem na leitura um hobby
É mãe do trio Gabriel, Rafael e Daniel
Seu livro de cabeceira é “Paulo e Estevão”
Um filme que marcou a sua vida foi “Encontro Marcado”
Ama a música sacra
Quando o assunto é futebol, torce para o Corinthians
Nota10: Para a dignidade
Nota 0: Para a alienação
E-mail: cristina.lima07@gmail.com