11 de julho de 2026
Política

Faltam 90 dias para a eleição que testa a moralidade política

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Douglas Reis
Luciano Olavo da Silva
Divulgação
Bruno Pasquarelli

Faltam só 90 dias para que 263.506 cidadãos possam ir às urnas escolher seus candidatos à Prefeitura de Bauru e à Câmara Municipal. Ainda distante da maior parte da população, as discussões acerca do processo eleitoral na cidade têm se intensificado nas últimas semanas entre agentes políticos, que ainda “batem cabeça” com o intuito de construir alianças partidárias em meio a um cenário marcado pelo descrédito na classe que deveria representar a população e por incertezas e por mudanças sensíveis nas regras eleitorais (leia os quadros no final).  

    
A corrida pela principal cadeira do Palácio das Cerejeiras apresenta elementos opostos ao do último pleito, em 2012, quando o atual prefeito conseguiu se reeleger com 82% frente a três adversários.

Agora sem um franco favorito, conforme sugerem as muitas pesquisas de intenção de voto que circulam pelos bastidores, a campanha eleitoral, com metade da duração de processos anteriores, deve se iniciar no dia 16 de agosto sem palpites certeiros sobre prováveis vencedores. Por enquanto, são sete os declaradamente pré-candidatos à prefeitura respaldados por seus respectivos partidos políticos (por ordem alfabética): Arildo Lima Jr. (PSDB) Carlos D’Incao (PT), Clodoaldo Gazzetta (PSD), Henrique Almirates (PRB), Maria Flor Di Piero (PSOL), Raul Gonçalves Paula (PV) e Renato Purini (PMDB). Paira também a dúvida sobre o perfil da composição da próxima Câmara e as chances de reeleição dos vereadores em mandato.

Vácuo

Até o início deste ano, pelo menos 20 políticos de Bauru cogitavam disputar a prefeitura. Doutor em ciência política, Bruno Pasquarelli atribui o cenário de incertezas e pulverização ao “vácuo de poder” consequente da era Agostinho.“É um prefeito com alta popularidade. Apesar de problemas no governo, é bem avaliado. É difícil ver alguém falando mal dele na rua. Durante os últimos 8 anos, o quadro político girou a seu redor e não surgiram lideranças políticas muito fortes de contraponto nem apontados como sucessores”, avalia.

Pasquarelli destaca ainda que não se observa a reprodução da polarização do debate verificado no plano nacional, o que pode explicar o relativamente alto número de pré-candidatos à sucessão de Rodrigo Agostinho.

Economia

Ainda assim, Pasquarelli crê que a relação de prefeitáveis com figuras do cenário federal pode influenciar a corrida eleitoral. Até descentralização do poder econômico na cidade pode ser considerada, segundo ele, para explicar a ausência de grandes lideranças na disputa pelo Palácio das Cerejeiras.

“Nas cidades que tem uma ou duas grandes indústrias no centro de suas economias, normalmente as famílias ligadas a essas empresas se lançam no processo político-eleitoral com força”, frisa o cientista, que aponta ainda o enfraquecimento dos partidos como outra causa para o “vácuo de poder”.

Limite para gastos é questionável

Pela primeira, empresas estão proibidas de colaborar com a doação de recursos para candidatos. Além disso, a minirreforma que alterou as regras do jogo eleitoral impôs limites de gastos vinculados às prestações de contas do pleito de 2012. Tudo leva a crer, portanto, que as campanhas ficarão mais baratas, certo?

Errado. Pelo menos é nisso que acredita o especialista em direito eleitoral Luciano Olavo da Silva. Segundo ele, o conjunto de alterações aprovado pelo Congresso Nacional pode privilegiar políticos ricos, dispostos a lavar dinheiro ou que já estejam no poder.

A legislação em vigor estabelece que os candidatos a prefeito não gastem mais do que 70% do valor declarado pelo concorrente com mais despesas no pleito de 2012. Na última eleição, Rodrigo Agostinho informou que sua campanha despendeu R$ 569.732,87. Portanto, o teto de gastos dos prefeitáveis para 2016 seria de, aproximadamente, R$ 398.813,00. Esse valor, no entanto, será corrigido pela inflação e divulgado pela Justiça Eleitoral até o dia 20 de julho.

“É uma grande mentira dizer que os custos serão reduzidos. Primeiramente, porque tudo é norteado pela campanha mais cara do pleito anterior. Segundo porque, se antes a campanha durava 90 dias, em 2016 terminará em 47 dias”, pontua Luciano. De fato, o custo diário de um candidato a prefeito, que foi de R$ 6.530,00 em 2012, pode chegar a R$ 8.485,00, em valores não corrigidos.

Alternativas

Além disso, Luciano cita que, apesar da proibição de doação por empresas, recursos devem continuar sendo injetados de forma ilícita. “Vai se dar bem quem tiver condições de dividir o dinheiro não declarado entre pessoas físicas que aparecerão como doadoras oficiais”, afirma o especialista. Ele diz ainda que candidatos ricos terão condições de financiar suas próprias campanhas e outros já inseridos no “status quo”, possibilidades mais eficazes de arrecadar recursos.

Menos corpo a corpo

Luciano Olavo acredita que o corpo a corpo perderá espaço. Isso porque se antes a propaganda no rádio e na televisão durava 45 dias em uma campanha de 90 dias, agora durará 35 em 45 dias. “Aumentaram o peso do marketing. É mais um gesto em favor de quem tem dinheiro”.

Os candidatos a vereador, por outro lado, aparecerão menos. Os dois blocos diários, de 10 minutos, serão dedicados exclusivamente aos prefeitáveis, que terão também 48 minutos em inserções durante a programação. A propaganda na Internet também está liberada. Mas os políticos não poderão pagar para que suas publicações tenham mais alcance nas redes sociais.