09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A luz ainda brilha à espera do consenso

Venício A. Francisco ? advogado
| Tempo de leitura: 3 min

A esquerda quer ficar, a direita quer voltar. Entre esquerda e direita, não há consenso e isso mostra como as duas são perigosas. Mesmo porque, qualquer grupo que vencer fica exposto a uma lei universal: a da ação e reação. Tudo volta ao mesmo lugar, mais cedo ou mais tarde. A saída para o Brasil não são os grupos políticos. Está no consenso sobre o bem comum, no interesse coletivo, no bem público e só assim as coisas se resolvem. O problema é que não temos essa cultura, mas Alemanha, Colômbia e EUA, apenas para exemplificar, já passaram por crises mais graves.


Pense no abismo infernal em que se meteu a Alemanha em 1945. Compare com a Alemanha de hoje. Em 1945, a Alemanha estava reduzida a escombros. Um quadro desolador de cidades inteiras destruídas por bombas, ao lado da síndrome fantasmagórica do medo do nazismo e da guerra fria assombrando o mundo. No reverso, toda humilhação e ruínas serviram de energias para alavancar um novo país, que mostra ao mundo uma nova cara: antimilitarista, multicultural, inovador, transparente e sustentável.


Em uma palavra: civilizado. Um país de instituições fortes, o suficiente para garantir que certas coisas jamais se repitam. Por certo, os alemães descobriram que o Estado existe em função do bem comum e este foi o consenso que salvou o país.  Simples assim.


Aqui bem perto de nós, a Colômbia também visitou os abismos mais tenebrosos, há menos de 20 anos. Uma guerra civil exterminou pela violência os cidadãos que recusaram a se debandar para o narcotráfico (assim como acontece no Brasil de hoje com as organizações criminosas), degradando e destruindo as instituições.


Após o mergulho na tenebrosa escuridão, surgiu uma nova Colômbia, uma nação que valoriza a inovação e faz prevalecer o bem comum, algo básico do Estado político com o qual todos concordam. Igualmente, os Estados Unidos não estiveram imunes à crise histórica, quando chafurdaram numa guerra civil sem precedentes, e estiveram ameaçados de desaparecer como país. Desse caos, surgiu um sistema inovador de pesos e contrapesos, garantindo larga autonomia para cada Estado-membro e amplas liberdades individuais que protegem o cidadão em relação aos excessos do poder governamental.


O Brasil está apenas começando um caminho correto, nesta fase tardia, em que sua conjuntura exige mudança cultural e política, capaz de varrer da vida pública os canalhas e os incompetentes, caminhando para sistemas básicos, a exemplo do que fizeram Alemanha, Colômbia e EUA. Nasceu um consenso: revogação imediata dos privilégios na vida pública, de benefícios diferenciados a grupos, de carros oficiais para motoristas, verbas para comprar ternos, regras excludentes de licitação, conchavos e carteiradas.


É chocante ter – e aceitamos passivamente – um Congresso que é o mais caro e também tem os piores congressistas do mundo. Que essa consciência faça substituir tudo isso por educação pública eficiente, acessível a todos, que seja para tornar o Brasil mais eficiente, eficaz, produtivo e inovador, com a busca de um novo modelo de produção, capaz de prestigiar a inovação, o empreendedorismo e, no mesmo passo, preservar e valorizar nossas maiores riquezas, qual sejam, os recursos naturais e a diversidade cultural.  Assim procedendo, não há como não dar certo. Claro que não vai ser fácil. Mas também não foi fácil para Alemanha, Colômbia, EUA e outros. A solução é o consenso, se é isso mesmo que queremos, e depois passar a exigir. A luz da esperança brilha sobre o céu da nossa pátria, acima das nuvens negra.