A Secretaria Municipal de Saúde confirmou, nesta segunda-feira (4), mais três mortes por H1N1 em Bauru. Com os novos registros, a cidade bate o recorde histórico de óbitos pela doença em um mesmo ano. Antes, o maior número de vítimas fatais havia sido contabilizado em 2009, ano em que, pela primeira vez, a presença do vírus foi detectada no mundo.
Com nove mortes, segundo o secretário Fernando Monti, Bauru ultrapassou o limite crítico da doença. Mas ele alerta que não há nenhuma medida que o poder público possa adotar neste momento. “O que poderíamos fazer já foi feito, que é a campanha de vacinação. Atingimos cerca de 90% do público-alvo”, pondera.
De acordo com o Departamento de Saúde Coletiva da secretaria, as novas vítimas são um homem de 41 anos, que faleceu em 1 de maio em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA); uma mulher de 61 anos, que morreu em 18 de maio no Hospital de Base; e um homem de 41 anos, que teve óbito em 17 de maio, em um hospital da rede privada. Todos eles apresentavam comorbidades.
Além das três mortes, a secretaria também recebeu a confirmação de mais outros três casos de gripe H1N1, totalizando 27 pessoas infectadas até o momento. Outros 16 casos suspeitos aguardam resultado de exames realizados pelo Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. Destes, um paciente, morador de Bauru, morreu. Em contrapartida, outros 82 casos investigados já foram descartados.
‘Situação passada’
Monti explica que todos os registros são referentes a meses anteriores. Ele acredita que, a partir da campanha de vacinação, encerrada oficialmente no início de junho, o número de novos casos, incluindo óbitos, comece a diminuir.
“O exame para detectar H1N1 é complexo e por isso a demora nos resultados. Então, estamos olhando para uma situação passada e, acredito, já superada. Não temos mais tantos casos sendo investigados e quase todos são de maio ou do início de junho”, analisa.
O secretário destaca que, embora seja uma doença conhecida há poucos anos, a gripe A vem apresentando comportamento cíclico, com picos de casos e mortes em 2009, 2013 e agora, 2016. “É algo comum entre as doenças infecciosas transmissíveis. O número anormal de casos neste ano não está ocorrendo somente em Bauru, mas em todo o Estado de São Paulo. Acredito que, nos próximos dois ou três anos, não teremos problemas”, argumenta.
Blindagem
De acordo com Fernando Monti, o paciente que contrai a gripe H1N1 fica temporariamente imune à doença devido aos anticorpos presentes no organismo. Por isso, quando o volume de infectados é muito elevado, a tendência é de que, em anos seguintes, haja queda no número de casos (veja evolução no quadro ao lado).
Mas, com o passar do tempo, esta espécie de “blindagem” vai perdendo seu efeito, principalmente se a população não procurar as unidades de saúde para ser devidamente vacinada. Porém, mesmo com as doses, ainda existe a possibilidade de um indivíduo ser infectado pelo vírus Influenza A, ainda que, normalmente, a manifestação seja menos grave.
Da mesma forma, segundo o secretário, existem pessoas que contraem H1N1, se tornam transmissoras do vírus e nem ficam sabendo, porque tiveram quadro respiratório leve e não foram enquadradas como suspeitas. De qualquer maneira, a recomendação é para que todos os moradores mantenham os cuidados básicos para evitar a doença, como lavar as mãos frequentemente com água e sabão ou álcool gel, cobrir nariz e boca ao espirrar e evitar locais com aglomeração de pessoas.
Caso raro
Das nove mortes confirmadas por H1N1 em Bauru, todos os infectados apresentavam comorbidades, a exceção de um homem de 36 anos, que não tinha qualquer doença preexistente, segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde. O óbito do paciente, ocorrido em 5 de maio e divulgado no final de junho, deixou as autoridades preocupadas.
“É uma raridade. Já houve essa situação em outros lugares do Brasil, inclusive no Estado de São Paulo. Mas não havíamos nos confrontado com isso em Bauru. Ficamos bastante apreensivos por ver uma pessoa dessa idade e sem comorbidade morrer da doença”, lamentou, na ocasião, o secretário municipal Fernando Monti.