| Malavolta Jr. |
| Raul Paula (1º plano) e Renato Purini (ao fundo) divergiram sobre caminhos para sanar os problemas nos distritos |
As condições de infraestrutura no Distrito Industrial 4, recentemente criado na região dos antigos lotes urbanizados, motivaram discussão entre os vereadores Raul Gonçalves Paula (PV) e Renato Purini (PMDB) durante a sessão legislativa desta segunda-feira (4). O embate chamou atenção por ter sido o primeiro envolvendo prefeitáveis com mandato da Câmara, ao menos no uso da tribuna. Raul pautou o debate, mostrando imagens de péssimas condições viárias em quadras com lotes já concedidos pelo município a empresas.
O parlamentar do PV disse ainda que há de três a quatro vazamentos de água por cada sua do Distrito 4. “Espero que corrijam esse problema quando forem resolver a pavimentação das ruas. Caso contrário, vamos gastar duas vezes”, observou.
Raul relatou ter sido procurado por três empresários concessionários do Distrito 4 que informaram sobre a situação, classificada por ele como lamentável.
“Esses caras iriam sair da cidade e a gente ajudou a convencer a ficar, por conta desses lotes. Agora, vieram me cobrar, alegando que não há condições”.
O prefeitável do PV chamou Purini para o debate ao avisar que cobraria dele respostas para a situação, já que o peemedebista respondeu, até o início de abril, pela comando da Secretaria do Desenvolvimento Econômico (Sedecon), pasta responsável pelos distritos industriais de Bauru.
“Não dá para falarmos em Eco Distrito sem sanar problemas tão primários como esses”, provocou o vereador do PV, referindo-se ao projeto recentemente lançado por seu virtual adversário na corrida pela sucessão de Rodrigo Agostinho.
Limitações
Logo em seguida, Renato Purini subiu à tribuna. O parlamentar reconheceu deficiências na infraestrutura do Industrial 4, único da cidade com lotes disponíveis para concessão, mas ponderou que elas não são tão graves como as retratadas por Raul.
O peemedebista frisou ainda que a Sedecon tem acompanhado todos os problemas e, junto ao DAE, os solucionado conforme as possibilidades. “A cidade tem muitas prioridades. Não é possível direcionar todos os recursos para os distritos em detrimento de outras regiões da cidade”, observou.
Associação
Como alternativa à escassez de recursos públicos, Purini citou a formação da Associação do Distrito Industrial 4, que já conta com a adesão de todas as empresas concessionárias de terrenos no loteamento, e poderá promover melhorias no local.
O ex-secretário do Desenvolvimento explicou que a organização segue modelo implantado na cidade de Piracicaba e, a partir de colaborações mensais proporcionais à metragem das áreas de cada empreendimento, os próprios empresários conseguem viabilizar melhorias na infraestrutura da região.
“Onde fomos conhecer, cada empresa recolhe cerca de R$ 0,50 por metro quadrado. Conseguem viabilizar videomonitoramento, segurança, cerca. Uma concessionária com 2 mil metros quadrados gastaria R$ 1.000,00 por mês. Não é tanto assim”, exemplificou.
Contramão
Raul treplicou, alegando que a proposta está na contramão das garantias oferecidas as indústrias as empresas.
“Elas esperavam a infraestrutura e não ter que arcar com essas despesas. São pequenas e já passam por dificuldades. Existe um distrito privado, no qual as pessoas pagam R$ 1.000 por mês e, em dez anos, têm o lote para elas, com tudo o que é necessário. Não faz sentido”, disse o parlamentar do PV.
A cobrar
Após o embate, o presidente da Associação do Distrito Industrial 4, Reginaldo Dias, foi à Câmara e defendeu o modelo implantado. “Problemas existem como em todos os outros distritos. Nossa ideia é unir as empresas não para fazer o que é de obrigação do poder público, mas sim cobrar dele”, disse. Segundo ele, a associação não cobrará mensalidades fixas das concessionárias, mas recolherá valores para viabilizar projetos específicos e aprovados por todos. Até agora, as 13 empresas contempladas com lotes no Industrial aderiram à iniciativa.