08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Virtudes e defeitos do capitalismo!

Cesar Augusto Teixeira de Carvalho professor Doutor aposentado do Departame
| Tempo de leitura: 5 min

A grande virtude do capitalismo é a multiplicidade de atividades e empregos que ele gera, beneficiando toda população. Isto ocorre devido a liberdade que o sistema propicia aos investidores, onde tudo é direcionado tendo como base a própria natureza do ser humano. O desejo, a ambição, a curiosidade e a busca incessante por novidades são infinitos para a população e, num ambiente de liberdade, isto é mais fácil de explorar. Cada vez mais pessoas de todas as classes sociais começam a viajar ou a adquirir produtos que antigamente eram reservados apenas aos mais ricos. Hoje, muita gente usa joias, roupas chiques, carros e aparelhos eletrônicos modernos: já tenho um celular, mas agora quero um smartphone de última geração!

Para entender o mecanismo capitalista da multiplicação dos empregos, inicialmente vamos considerar a hipótese de termos um produto atraente no mercado, bastante cobiçado, mas cujo preço é proibitivo para a grande maioria da população. A chave é se criar um sistema de máquinas a serem utilizadas na fabricação das partes do produto e que, associada a uma organização em série na montagem, resulta no produto final numa quantidade bem maior do que antes. O aumento da produção barateia seus preços tornando o produto mais acessível às pessoas de todo mundo, acarretando na melhoria de sua procura. Para cumprir esta nova demanda, é necessário mais pessoas na organização, na comunicação e nas vendas, aumentando os empregos nessas áreas. Isto acontece de modo assemelhado e simultaneamente com milhares de outros produtos pelo mundo, ativando o mercado entre os países e gerando a necessidade de mais pessoas para trabalhar no setor de transporte. O que provoca também a necessidade de mais aviões, navios, trens e caminhões, gerando outros serviços para os que projetam e para os que constroem estes novos meios de transporte. Somam-se a isto, os vários empregos indiretos envolvidos no processo como, por exemplo: nas recepções, lanchonetes e taxis, das estações e dos portos e aeroportos. Na hipótese de se querer lançar algo novo no mercado, após a concepção, fabricação e lançamento, o processo se repete de modo semelhante.

Assim, numa reação em cadeia, os empregos se multiplicam devido as diversas atividades geradas pelo sistema capitalista. A verdade é que a criatividade propiciada por um sistema livre e movida por estímulos foi a melhor coisa que aconteceu aos pobres em toda a história do mundo, ao contrário do que os socialistas gostam de propagar. É lógico que neste processo uns ganham mais e outros menos conforme sua participação, mas no final o dinheiro circula mais e todos se beneficiam.

E o governo nesta história? Bem, ele pode também ajudar atuando no balizamento e melhoria do processo. Isto é necessário, pois a livre iniciativa do capitalismo, espontaneamente nem sempre funciona bem. Para entender os problemas que isto pode causar, consideremos um exemplo simples: suponha que numa pequena cidade há carência de 5 padarias e 3 farmácias o que, certamente, irá estimular algumas pessoas a investir nisto. Numa análise simplista, se 8 pessoas investirem em padarias e 2 em farmácias, nos dois casos haverá algum tipo de problema. Os que investirem nas padarias, com certeza não irão obter o retorno esperado devido o excesso de oferta (8 em 5), enquanto os que investirem nas farmácias, devido a falta de oferta (2 em 3) a população não seria atendida segundo suas necessidades.

Como se verifica, os governos podem ajudar neste processo catalogando e oferecendo informações sobre as necessidades setoriais, no balizamento dos novos investimentos, bem como no incentivo às pesquisas. Vimos que a liberdade no capitalismo para se criar ou empreender, pode acabar gerando crises de “excesso ou falta” em produtos ou serviços, ocasionando desequilíbrios. Assim, a interação entre a iniciativa privada e governo é necessária para minimizar estes problemas e, caso isto não ocorra, certamente se estabelece as chamadas “crises cíclicas” de forma mais acentuada. Como ilustração temos a crise que se iniciou em 1929 nos EUA, motivada por “excesso de oferta” de mercadorias e alimentos. Mas isto não é um privilégio das sociedades capitalistas, pois, apesar da economia planificada, as socialistas também tiveram suas crises, como aconteceu na URSS nos anos 1970 e 80, com destaque para a “falta de oferta” no abastecimento de alimentos, fato este agravado em 1986 com o acidente nuclear na Usina de Chernobyl, que danificou várias lavouras. Entretanto, a bem da verdade, não se pode dizer que em Cuba ocorrem “crises cíclicas”, uma vez que a crise de abastecimento é permanente. Por outro lado, é importante ressaltar que estas crises do capitalismo associadas a liberdade de iniciativa privada, de forma alguma podem ser confundidas com a crise que estamos vivenciando atualmente no Brasil, que foram ocasionadas devido a má gestão do governo no gerenciamento da coisa pública.

Como todo socialista gosta de propagar, há quem incluiria entre os defeitos do capitalismo o “empresário ganancioso”, explorador dos pobres. Entendo que a “ganância” não é um defeito do capitalismo e sim de algumas pessoas, defeito este que pode ocorrer de forma assemelhada também no socialismo. Aproveito para destacar outra virtude exclusiva do capitalismo que pode corrigir isto pelo fato dele estar sempre associado a democracia e a república, onde existem leis que podem ser acionadas caso ocorra algum problema.

Muitas das virtudes citadas que acontecem no capitalismo, não acontecem no socialismo. No socialismo existe também a curiosidade e o desejo, mas não existe a liberdade e o estímulo para induzir a sociedade a criar e investir e, consequentemente, não existe a multiplicidade e o dinamismo para fazer a economia girar. No socialismo seriamos iguais, mas iguais no quase nada.