O clientelismo é um fenômeno político que, no Brasil, surge no período da Colônia e é um dos aspectos que compõem a vida política brasileira. Esse fenômeno se baseia no atendimento de necessidades imediatas em troca da garantia de votos e que tem como principais práticas o uso do favor como moeda de troca nas relações políticas; a instalação do controle político através do mecanismo da cooptação; o uso privado dos recursos públicos e dos aparelhos estatais. Constitui-se na famosa “barganha”, a troca de favores.
Em Bauru estamos vendo esta prática clientelista se acentuando. A coisa anda tão descarada que estas relações promiscuas são tratadas e discutidas via órgãos de imprensa. Os órgãos da administração pública estão sendo utilizados com a finalidade de prestar serviços para alguns privilegiados em detrimento da grande maioria da população, através de intermediários, que podem ser vereadores, servidores públicos, prefeitos, secretários, pessoas influentes, imprensa, etc.
Isso ficou evidente em mais uma nota da coluna Entrelinhas do Jornal da Cidade, edição de 01/07/2016, onde são citados dois vereadores que teriam sido premiados com a nomeação de mais apadrinhados. O próprio prefeito Rodrigo Agostinho já declarou publicamente que se viu obrigado a usar esta prática de “comprar apoio” através da distribuição de cargos para vereadores nomearem seus apadrinhados. Esta prática garantiu a maioria sempre muito folgada nas votações da Câmara de projetos de seu interesse.
O clientelismo tem a finalidade de amarrar politicamente o beneficiado. Os intermediários de favores, prestados à custa dos cofres públicos, são os chamados clientelistas, despachantes de luxo ou traficantes de influências. O grande objetivo dos intermediários é o voto do beneficiado ou dinheiro (corrupção).
Muitas pessoas pensam que somente trabalham a seu favor os vereadores que são verdadeiros despachantes de luxo, clientelistas. São os que repetem na relação com a população as mesmas práticas podres que estabelecem com o Executivo. Estas pessoas enxergam o vereador como uma autoridade que será capaz de lhe arrumar um emprego na prefeitura ou lhe encaminhar para alguma empresa privada acompanhado de uma cartinha de recomendação, ou, ainda, para lhe dar passagem, para “quebrar galhos” junto aos órgãos públicos, para ajudá-lo a não cumprir a legislação.
Aquilo a que as pessoas deveriam ter direito enquanto cidadão passa a ser uma dádiva das autoridades, quando na realidade as autoridades deveriam estar brigando para que todos tivessem direitos e deveres iguais e se transformassem em cidadãos e cidadãs ativos, sujeitos de direitos e deveres. É a negação às classes populares do seu direito à participação política direta e de maneira autônoma.
O clientelismo é a porta da corrupção política e o pai e a mãe das irregularidades e do uso da “máquina administrativa” com finalidades perversas, e, no final da história, os prejudicados são a maioria dos cidadãos e cidadãs que cumprem com seus deveres.
O autor é vereador do PSOL Bauru