Um breve comentário à convocatória para a união da esquerda bauruense publicada por Carlos D´Incao: estranho esse chamado, cuja contradição deve ser exposta. O discurso de união da esquerda foi, nos últimos anos, abandonado pelo repertório político do PT, enquanto este partido contribuía para o rebaixamento das pautas classistas.
Agora, convenientemente, o discurso reaparece como mera retórica. O PT é um partido que errou sucessivamente, não apenas ao envolver-se nos escândalos de corrupção já bem conhecidos, mas fundamentalmente por ter acreditado e continuar acreditando numa coalizão de forças e num suposto jogo de “ganha-ganha” desenvolvimentista que corroeu a imagem da esquerda, gerando confusão e mistificação do espectro político.
A tentativa, muito justa, de batalhar a união das esquerdas nos planos nacional e municipal passa necessariamente pelo distanciamento do PT e das práticas que caracterizam esse partido.
É impensável que o PT altere em qualquer nível seu pensamento, estratégia e comportamento, de forma que só podemos ver como nefasta uma coligação com um partido que tem representado, se não o retrocesso, no mínimo a cristalização dos direitos dos trabalhadores. Diante de um quadro como esse, o apelo pela união significa, na realidade, a satelitização de programas realmente socialistas, como o do PSOL e de outros partidos à esquerda, o que não se pode aceitar.
O chamado de apoio ou união ao PT nesse momento desastroso da história política nacional caracteriza um abuso, uma tentativa de solucionar um problema oferecendo mais crédito a um dos principais causadores desse mesmo problema. Vimos abuso parecido, do lado capitalista, quando os grandes banqueiros mundiais apelaram aos estados nacionais para que resgatassem o sistema financeiro da crise de 2008, ou seja, pediram mais crédito logo após terem quebrado o sistema.
Assim, o PSOL Bauru tem procurado promover a união da esquerda bauruense sem, no entanto, se furtar à reflexão crítica necessária: aquela que lembra, por exemplo, que o PT esteve no governo municipal nos últimos 8 anos.