08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Confissão

Domingos Dias Sorze - Pederneiras
| Tempo de leitura: 1 min

Eu recebi Pederneiras muito melhor do que a estou deixando para meus filhos. Naquele tempo, não havia fila em consultórios médicos e nem no Hospital, nem existia pronto-socorro, porque o socorro sempre era imediato. . . bom, tive a sorte de nascer e crescer a um quarteirão da Santa Casa (e ali no hospital minha irmã, Neninha, com 14 anos já comandava tudo na cozinha). Urinei na calça por duas vezes com o Professor Argemiro, mas tenho certeza que valeu. O Destacamento Policial da Força Pública solucionava todas as questões mais graves e inclusive presenciei, com dó, o ladrão de uma bicicleta (naquele tempo era crime gravíssimo) ser levado algemado para a Cadeia Pública a três quarteirões de minha casa, na Santos Dumont.  O grande lazer era pescar bagres azuis no lindo Lago Azul próximo ao Castelo e, quando pegava poucos, completava com peneiradas de lambaris, tendo o cuidado de retornar ao rio as “viuvinhas” que caiam na peneira, tudo isso no Querido Riozinho, o nosso Córrego do Monjólo. Bom, com 11 anos eu estava bem empregado no Segundo Ofício, mas continuava a bater bola no Sumaré, onde só jogava quem ia limpar o campo e manter as traves. Bom, falei em Saúde, Educação, Segurança, Lazer, Emprego e, então, confesso minha culpa, dizendo que tive muito medo em me expor na defesa do Sagrado Bem Público e, infelizmente, esse medo continua. Mas será superado.