| Agência Câmara |
| Plenário na Câmara Federal |
Dividida entre várias candidaturas e em um cenário de incertezas, a base parlamentar do presidente interino, Michel Temer (PMDB), elegerá nesta quarta-feira (13) o novo presidente da Câmara para cumprir um mandato-tampão até 1 de fevereiro de 2017.
O gesto do PMDB de lançar um candidato aumentou as dúvidas em torno de quem sairá vitorioso.
Diante da pulverização de nomes - 14 até a noite de ontem (veja quadro) -, o Palácio do Planalto tentará até o último momento um consenso, que pode até ser alguém fora hoje da lista de cotados.
A preferência de Temer e seus aliados é pelo deputado Rogério Rosso (PSD-DF), que chega à esta quarta-feira na dianteira em relação aos demais concorrentes.
O ex-governador-tampão do Distrito Federal tem apoio também da maioria do “centrão”, grupo de partidos médios e pequenos, e do ex-presidente da Casa Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que luta para não ter o mandato cassado por acusação de envolvimento no petrolão.
Rosso enfrenta resistências em setores do “centrão” e adversários afirmam que ele pode se inviabilizar durante o dia devido à acusação de uma testemunha de que recebeu propina no caso conhecido como “mensalão do DEM”. Ele nega envolvimento.
Figuravam até ontem como principais concorrentes dele no provável segundo turno o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), ex-aliado que agora tenta se firmar como candidato anti-Cunha, e Marcelo Castro (PMDB-PI).
Para surpresa do Planalto, a maioria da bancada do PMDB lançou a candidatura de Castro, ex-ministro de Dilma Rousseff, que imediatamente recebeu o apoio do PT e dos aliados da presidente afastada.
Publicamente o Planalto diz que até Castro será um nome bem-vindo, mas eventual vitória dele, mesmo sendo um nome do PMDB, constrangerá o governo e será no mínimo uma evidência de que Temer não terá vida fácil no Legislativo se permanecer no poder após a definição do impeachment de Dilma Rousseff.
Seja qual for o nome a vencer, a pauta legislativa que a Câmara irá tocar de agora até fevereiro do ano que vem é cercada de incertezas. O Congresso entra em férias na próxima semana e, em tese, volta aos trabalhos em agosto.
O “em tese” se justifica pelo tradicional “recesso branco” que acontece nos meses que antecedem as eleições. Os deputados esvaziam Brasília para se dedicar à disputa em seus redutos.
A maioria dos principais candidatos a presidente da Câmara afirmam que vão trabalhar pelo reforço da independência do Parlamento e pela pauta prioritária do governo federal, mas nenhum deles esclarece em detalhes como colocará isso em prática. Se vão, por exemplo, cancelar o “recesso branco” da Câmara descontando o salário de eventuais faltosos ou se vão concentrar os trabalhos em novembro e dezembro, após as eleições.
Na pauta prioritária do governo, há projetos polêmicos como o teto de gastos públicos, a renegociação da dívida dos Estados e as reformas da Previdência e trabalhista.
Outra incerteza se dá sobre a situação do ex-presidente Eduardo Cunha, que só terá um desfecho a partir de agosto. Todos os candidatos favoritos à sua sucessão são ou foram seus aliados.