08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Eco Distrito Industrial

Eduardo Coube de Carvalho
| Tempo de leitura: 2 min

O anúncio da prefeitura municipal de Bauru sobre o projeto Eco Distrito Industrial é um importante passo para o desate das amarras desenvolvimentistas da cidade. Um verdadeiro fôlego contra a inércia do nosso setor industrial. Dados do IBGE/Cidades mostram uma representatividade baixa das indústrias no PIB municipal, reduzida de 18% em 2008 para menos de 15% nos dias atuais. Comparada aos nossos vizinhos, Bauru fica atrás de cidades que aumentaram de 20% para até 50% de participação industrial no PIB local.

A proposta do Eco Distrito é dotada de ótimas intenções, mas para se implementar ideias que realmente tragam benefícios à cidade precisamos de priorizações. Utilizando exemplo de uma iniciativa piloto recentemente executada na cidade, e falando apenas de um dos itens sugeridos no projeto Eco Distrito (reciclagem de resíduos orgânicos urbanos), as oportunidades para a cidade vão muito além do óbvio benefício ambiental.

No piloto, restaurantes e refeitórios da cidade reciclavam 100% de suas sobras de comida, gerando cada um economia média de R$ 250,00 por mês para a prefeitura. Um bom exemplo da importância da iniciativa privada no desenvolvimento municipal.

Mas para ser bem conduzido, o projeto da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico deve vir acompanhado de ambiente regulatório para se exigir a eficiência das empresas, e principalmente regras claras de incentivos, coibindo a distribuição de vantagens ilícitas a funcionários públicos. Contudo, nem por isso a administração pública deva ser intrusiva, muito pelo contrário.

A intenção deve ser de atrair empresas sérias e geradoras de conhecimento, trabalho e renda aos moradores da cidade. Para isso, deve haver ambiente competitivo livre dos tentáculos burocráticos municipais. Neste sentido, a administração pública deverá focar recursos e atenção em áreas como saúde, educação e urbanismo.

Será papel da sociedade e dos futuros vereadores exigir do poder executivo municipal que as propostas de atração de investimentos saiam do papel, e não fiquem apenas colorindo jornal em ano de eleição.