Causa espanto a revolta do leitor Osvaldo Gradella Júnior contra o “governo tucano” do Estado de São Paulo por ter autorizado mais uma grande obra viária em Bauru. Em carta publicada neste espaço na última terça-feira, o leitor diz não considerar prioridade a construção das marginais no trecho urbano da rodovia Marechal Rondon. Conclui-se que, para o leitor, o investimento em segurança no trânsito e na preservação da vida não é prioridade. Pois é isso o que representa a construção das marginais. Na visão dele, a obra se resume a uma “pressão das empreiteiras e construtoras”. Se partirmos deste pressuposto, por mais importante e necessária, nenhuma obra seria legítima, mas apenas resultado desta suposta “pressão”.
Portanto, nada mais deveria ser construído no Estado para não ceder às “pressões” de empreiteiras e construtoras. É, no mínimo, hilário. Não custa lembrar que a construção das marginais da Rondon em Bauru é uma obra prevista desde 2009, quando foi assinado o contrato de concessão da rodovia. Sobre o alegado “descaso com a educação fundamental, média e superior, bem como com a saúde”, foi mais uma afirmação equivocada do prezado leitor. O Estado de São Paulo é o único que gasta 30% de sua receita com educação. Nenhum outro Estado brasileiro gasta tanto com educação. E ainda auxilia os municípios na construção de creches escolas para crianças de 0 a 5 anos, uma responsabilidade exclusiva das prefeituras. Já foram entregues 141 e outras 380 estão em construção. Somente em Bauru, nos últimos anos, foram construídas três escolas estaduais: na Vila Dutra, Pousada da Esperança e Alto Jaraguá. E há uma em construção no Tangarás. Sobre a educação superior, as três universidades USP, Unesp e Unicamp têm autonomia administrativa, o que inclui decisão sobre reajustes salariais de seus funcionários.
Portanto, elas decidem quanto, como, quando e onde vão gastar os recursos que recebem do Governo do Estado. No quesito saúde, Bauru ganha destaque, pois é a única cidade do Interior a ter seis hospitais mantidos pelo Governo do Estado (Hospital Estadual, Hospital de Base, Hospital Manoel de Abreu, Hospital Lauro de Souza Lima, Maternidade Santa Isabel e Centrinho) mais o Ambulatório Médico de Especialidades (AME). Além do mais, por meio do Programa Pró-Santas Casas, o Governo do Estado libera todos os anos centenas de milhões de reais extras para Santas Casas e hospitais filantrópicos para compensar o déficit que essas instituições têm com a tabela de procedimentos do SUS, que nunca foi reajustada nos 13 anos de governo petista, prejudicando sensivelmente o atendimento público de saúde.