Ao longo de mais este 2016, a nação assiste perplexa à enxurrada de denúncias e referências de conduta nada republicanas, da classe política em geral, tanto quanto aos parlamentares, como em relação aos administradores públicos, Senhores ministros inclusive. Tivemos o dito “Mensalão”, no primeiro governo Lula, e daí resultou a prisão do ministro José Dirceu, então Chefe da Casa Civil, estrela maior, seguido por doleiros, diretores de banco e do marqueteiro mineiro Marcos Valério, este com penas que ultrapassam a 40 anos de reclusão.
Era de se imaginar que diante destes fatos que estarreceram a opinião pública, teríamos enfim a moralização do conjunto da política nacional. Triste engano. Paralelamente a este episódio, nascia o consagrado escândalo do “Petrolão”, ensejando o nascimento das investigações denominadas Operação Lava Jato. Constata-se daí a putrefação da classe política, instalou-se um propinoduto na seara da consagrada Petrobrás, então na 10ª colocação dentre as empresas petrolíferas do mundo e hoje rebaixada a um desprezível 460ª lugar. O rombo é de bilhões, suas ações quase viraram pó, o propalado Pré-Sal, face ao rebaixamento no mercado mundial do valor do barril de petróleo, torna-se inviável face ao altíssimo custo para sua extração e daí foi para o “vinagre”.
As cifras envolvidas na cleptocracia instalada na República ultrapassam bilhões de dólares, os operadores da Polícia Federal, do Ministério Público, robustecem de denúncias a 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, sob o comando do ínclito magistrado Sérgio Moro, que, respaldado pelo Conselho Nacional de Justiça e pelos ministros do Supremo Tribunal Federal, tem determinado a prisão dos maiores empreiteiros nacionais, manipuladores do ervanário subtraído, de políticos detentores de mandato e de administradores públicos nada afeitos aos princípios da moralidade.
Todos estes acontecimentos, acrescidos do inédito afastamento do exercício da Presidência da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha, somado ao processo de impeachment da mandatária já afastada do exercício da Presidência da República, que será definitivamente julgada pelo plenário do Senado Federal, em seção presidida pelo ministro Ricardo Levandowski, DD. presidente do STF, leva-nos a crer que algo novo está por acontecer. Brasília é um barril de pólvora.
Nossos corruptos parlamentares, não são todos, mas são muitos infelizmente, não assistem a este “filme” por nada, movimentam-se nos labirintos do Congresso Nacional em busca de algo que possa beneficiá-los, já que não conseguiram e não conseguirão interromper o processo desenvolvido pela Lava Jato. As sucessivas delações feitas pelos envolvidos no “assalto da viúva” complicam dia a dia a situação de muitos, resta-lhes produzir algo que lhes salve a própria pele, acreditem.
Por mais estarrecedor que seja, nossos parlamentares articulam sim, como única saída que lhes resta, a aprovação de projeto de lei que anistie a todos, políticos e empresários, gatunos e larápios, todos da maior periculosidade. Este tapa na cara de todos nós será praticado logo após as eleições municipais de outubro, podem anotar. Somente a mobilização da opinião pública poderá conter a esta manipulação que afronta aos princípios da dignidade republicana, consagrados desde Rui Barbosa. Aí, sim, teremos o Golpe. O Golpe da Pizza. Restaure-se a Moralidade Já! Procura-se um estadista!
O autor é advogado