09 de julho de 2026
Geral

Ponto de circular vira "casa" de bauruense de 51 anos

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
Maria Salete vive em um ponto de ônibus no Terra Branca há cerca de um mês

Maria Salete de Oliveira tem 51 anos. Em boa parte de sua vida, ela morou em uma casa na rua Itororó, na Vila Independência, em Bauru. A mulher conta que, por falta de dinheiro para o aluguel, teve que entregar, há quatro meses, o imóvel em que morava sozinha. Desde então, ruas e praças da cidade no Centro, Vila Industrial, Ouro Verde e Vila Independência se transformaram em sua “residência”. 

Mas o cansaço das pernas e as dores de uma hérnia em sua barriga a fizeram diminuir as andanças. Por isso, dona Maria, que foi diagnosticada com depressão e esquizofrenia, acabou adotando um ponto de circular no Terra Branca como “casa” há cerca de um mês.

A imagem dela deitada no banco do ponto de ônibus, nesta semana, dava a dimensão do problema que é dormir e acordar todos os dias na rua. “Nunca me aconteceu nada, mas nunca se sabe. Que a rua é perigosa é, dá um pouco de medo sim, mas eu gosto daqui”, comenta Maria, cabisbaixa.

Exatamente por questões de segurança, a reportagem não divulgará o endereço exato em que a mulher está.

‘Não quero ser um Peso’

Antes de ir para a rua, Maria diz que dividia a casa com um irmão, mas, dois meses após ele se mudar para Marília com os filhos, acabou entregando a casa. “Meu dinheiro é pouco, não dá para pagar aluguel e o resto. Mudei para a casa de outra familiar, mas não deu certo lá. Então, resolvi ir para a rua”, conta a mulher. 

Até então, ela vivia com um salário mínimo de um benefício assistencial do governo federal para pessoas com deficiência.

O outro filho dela está preso. “Eu não quero ser um peso para minha família. Eles têm os filhos deles. Então, não vou [voltar a morar com os familiares]”, fecha a questão a mulher.

A outra negativa é em relação ao atendimento da Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes). “Eles já vieram várias vezes, mas eu não vou. Não quero ir para o albergue. Só saio daqui se for para ir morar em algum cômodo no Mary Dota”, pontua.

Maria diz que também viveu um tempo com a irmã e chegou a ser internada em um hospital psiquiátrico de Jaú por seis vezes. “Mas da última vez negaram”, relembra.

Rotina

Nas sacolas carregadas por ela, há frutas, marmitas com comida, algumas garrafas de água e cobertor.

O banho, na maior parte das vezes, ocorre quando ela vai ao Centro Pop, da Sebes, ou então quando “alguma alma boa” aparece e ajuda.

“O Centro Pop é longe, faz tempo que não vou. É muito sol”, comenta Maria.
Tanto as roupas quanto a alimentação dependem de doações. A estadia dela no ponto de ônibus já rendeu algumas reclamações de moradores de um condomínio. Por outro lado, alguns vizinhos mais pacientes costumam ajudá-la.

Convencimento

Titular da Sebes, Rosa Otuka diz que o caso de Maria Salete é conhecido na secretaria e afirma que, diariamente, equipes vão até o local tentar convencê-la a aceitar ajuda. “Ontem (anteontem) e hoje (ontem) estivemos lá, mas não podemos forçá-la a nada”, ressalta a secretária.
Rosa afirma ainda que a família de Maria Salete tem sido contatada e que o ponto de ônibus em que ela tem dormido fica próximo da casa de uma irmã. “Para deixar essa situação, ela precisa da família. Vamos continuar insistindo até que ela saia da rua”, promete a titular da Sebes.

Serviço

A Sebes mantém plantão dos atendimentos e abordagem social noturno, das 19h às 7h, e em finais de semana pelo (14) 99147-8954. Nos demais horários, a secretária atende pelo (14) 3227-8624. 
Já quem quiser ajudar Maria Salete pode ligar no telefone (14) 99807-8159 (Sueli).