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| Antes de ir para Nice, Amanda Bishop estava em Paris |
"Ainda estou tremendo muito”, contou Amanda Bishop, 23 anos, quatro horas depois do atentado que matou ao menos 75 pessoas e deixou mais de 100 feridos, nesta quinta-feira (14), em Nice, no sul da França (leia mais na página 19). Bauruense, a jovem está no país desde 28 de junho para participar de um estágio em Tours, cidade da região central da França.
Nesta quinta, ela foi à orla de Nice para acompanhar as comemorações da Queda da Bastilha, marcadas por shows e uma tradicional queima de fogos. Pelo celular, Amanda contou ao JC os momentos de pânico que viveu quando um caminhão avançou sobre as milhares de pessoas que participavam da festa.
“Assim que os fogos acabaram, começamos a andar pela orla. De repente, começou uma gritaria. Ouvimos algo similar a tiros. Uns cinco ou seis. E todo mundo começou a correr na direção contrária, sem saber o que estava acontecendo”.
O ataque ocorreu por volta das 22h40 (17h40, no horário de Brasília). A jovem estava acompanhada de uma amiga de Araxá (MG), que cursa com ela o quinto ano de medicina na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas. No meio da confusão, muitos visitantes caíram ao serem empurradas e sua amiga acabou machucando o pé, o que dificultou a fuga de ambas do local.
“Eu vi sangue na rua, mas até então não sabia que pessoas tinham morrido. Achei que tivessem se ferido no meio do empurra-empurra. Havia muitos chinelos e pertences no chão, porque as pessoas, correndo de desespero, foram deixando tudo para trás”.
Abrigo na cafeteria
As informações de que um caminhão havia atropelado dezenas já corria entre os presentes, mas Amanda conta que demorou a entender o que realmente estava acontecendo. Na semana passada, durante a final da Eurocopa, ela chegou a ouvir rumores de que a cidade onde ela está morando, Tours, havia sido alvo de atiradores.
Assim como nada havia acontecido naquela situação, a jovem imaginou que, em Nice, as informações que circulavam também poderiam ser infundadas. Por isso, ela e a amiga decidiram permanecer na orla, quando surgiram muitas ambulâncias e as pessoas começaram a correr de novo. “Sem saber para onde ir, entramos em uma pequena cafeteria, onde havia cerca de 20 pessoas. Ficamos no escuro, abaixados sob as mesas, na cozinha, no banheiro. Havia muitas pessoas do lado de fora, batendo no vidro, pedindo desesperadamente para entrar, mas não havia mais espaço para elas. Foi muito triste”, lamenta.
A bauruense conta que conseguiu retornar ao hostel onde estava hospedada cerca de meia hora depois e que, mesmo após deixar a cafeteria, chegou a ouvir mais tiros no caminho de volta. Segundo a imprensa francesa, um dos ocupantes do caminhão foi morto pelas forças de segurança e o outro continua foragido.
Quando conversou com a reportagem, Amanda ainda não sabia como retornaria Tours e, mesmo abalada, agradeceu por estar viva. Ela pretende retomar sua rotina normal na França e concluir o estágio, com previsão para retornar a Bauru em agosto.
Atentado acontece ocorre em festa do Dia da Bastilha no Sul da França
(Agência Estado)
Um atentado deixou ao menos 75 mortos e mais 100 feridos, nesta quinta, quando um caminhão avançou sobre milhares de pessoas que participavam da festa da Queda da Bastilha em Nice, no sul da França.
Segundo o governo local, que classifica a ação como atentado, o caminhão estava carregado com armas e granadas. A Presidência da República ainda não confirmou a hipótese de atentado.
A informação sobre os mortos foi concedida pelo Tribunal de Nice. O número de vítimas, porém, pode aumentar. O jornal “Le Figaro”, citando fontes da polícia, disse que 73 pessoas foram mortas.
O veículo entrou na área fechada da Esplanada dos Ingleses, avenida litorânea da cidade da Côte D’Azur, por volta das 22h30 (17h30 em Brasília), pouco antes da queima de fogos que marca o mais importante feriado francês. Segundo o sub-prefeito da cidade, o caminhão teria percorrido uma longa distância.
Os espectadores da festa ficaram em pânico e saíram correndo. O governo da região de Alpes-Maritimes, onde fica Nice, pediu à população que voltasse a suas casas e ficasse em locais fechados.
Cinquenta minutos depois, a polícia cercou a área onde estava o caminhão, perto da praça Masséna. Segundo a imprensa francesa, um dos ocupantes do caminhão foi morto e o outro seguia foragido na noite de ontem (horário de Brasília).
Até o fechamento desta edição, não havia reivindicação de nenhum grupo terrorista até o momento. Nos fóruns ligados a militantes da milícia terrorista Estado Islâmico, entretanto, diversos usuários comemoraram o atropelamento.
O presidente francês, François Hollande, que estava em Avignon para o feriado da Revolução Francesa, voltou a Paris para fazer uma reunião do gabinete de crise. O Ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, viajou a Nice.
Mais cedo, Hollande havia afirmado que não pretendia estender o estado de emergência em vigor desde a série de atentados de Paris, em novembro.
A medida seria suspendida no próximo dia 26. Em mensagem nas redes sociais, o presidente interino, Michel Temer, lamentou o ataque no sul da França.
Relatos
O brasileiro Anderson Haetel, morador de Nice, na França, foi ferido pelo atropelamento durante as comemorações da Queda da Bastilha. Ele afirmou à BandNews que viu corpos de idosos no local e que pessoas estão sendo atendidas na recepção do hospital.
Haetel relatou que aguarda uma ambulância para ser transferido a um estádio, onde uma enfermaria estava sendo montada.
Camila Lara, estudante brasileira que estava em Nice para as comemorações, disse à BandNews que houve muita correria no local. “Corremos sem saber o que estava acontecendo”, afirmou. Ela não chegou a ver o caminhão, mas ouviu o tiroteio que se seguiu ao atropelamento. “As pessoas estavam correndo no meio da rua, caindo no meio da rua”, afirmou.
A avenida estava fechada para circulação de veículos.
Pelo Twitter, testemunhas relatam ter visto o caminhão em alta velocidade e corpos espalhados pelo local.
Obama condena ataque
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condenou ontem “o que parece ser um horrível atentado terrorista” em Nice, cidade localizada no sul da França.
“Nossos pensamentos e orações estão com os familiares e outros entes queridos dos que foram mortos”, disse o presidente, que elogiou “a resiliência extraordinária e os valores democráticos que fizeram da França uma inspiração no mundo todo”.
Obama ofereceu às autoridades francesas “toda a assistência que eles possam precisar para investigar esse ataque e levar os responsáveis à justiça”.
Mais cedo, um caminhão atropelou uma multidão de pedestres que participavam dos festejos da Festa Nacional de 14 de Julho em Nice, deixando pelo menos 75 mortos, de acordo com autoridades da região.
O embaixador da França nos EUA, Gerard Araud, caracterizou o ocorrido em Nice como um “ataque terrorista”.