07 de julho de 2026
Bairros

Para trabalhar e estudar

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 3 min

Pouca gente sabe que a ideia de aproveitar o tempo em bares e restaurantes para os estudos foi incrementada pelos japoneses no pós-guerra. Após perder a Segunda Guerra Mundial, o Japão entrou em uma fase de reconstrução e em grande atividade industrial. Para não perder tempo, os jovens iam de um lugar a outro com os livros embaixo do braço, absorvendo todo o conhecimento possível no pouco tempo de folga que tinham. Assim surgiram também as chamadas “livrarias/restaurantes”. Mas o conceito não foi inventado por eles. De uma forma mais romanceada, a França teve já nos séculos 18 e 19 as áreas de leitura  em seus famosos cafés às margens do Rio Sena. Mas as pessoas iam lá mais para ler os famosos romances da época e não para estudar. Ou seja, os japoneses aprimoraram o conceito, atendendo às necessidades dos usuários.
Da mesma forma, o jovem bauruense Thiago Simões Dias estudante de uma universidade no Paraná, usava um espaço de uma franquia esta semana, para, via Internet, consultar dados de seu curso, engenharia. “Aqui o ambiente é tranquilo e mesmo estando em férias na casa da minha família, aqui em Bauru, preciso fazer meus contatos”, justificou. Em tempo: ele adora café, o tradicional mesmo, que é “bem mais estimulante”.
Quem também costuma usar o espaço pelo acesso à Internet e fazer suas reuniões de trabalho é a representante comercial Luciana Parra. Ela confessa que prefere chocolate bem gelado nos dias quentes e quando esfria troca por um chá de camomila. “Eu, que vim de São Paulo, já conhecia este espaço. Têm muitos evangélicos como eu e meu marido e se for preciso dá para usar até sala de conferência”.
Como representante de uma indústria farmacêutica, Luciana está consciente também da tendência de trocar os almoços de trabalho em restaurantes por encontros em cafeterias. Por causa da crise, o custo é bem menor.

Bons negócios

É bom saber que o brasileiro consome ao ano 81 litros de café ou quase 5 quilos de café torrado. Claro que o consumo dentro do lar e do ambiente de trabalho  são maiores dos que em cafeterias. Mesmo assim esse é um segmento que não vive a crise de outros setores no momento. 
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), o País tem cerca de 3.500 de cafeterias, que, juntas, escoaram parte das 20,33 milhões de sacas consumidas pela população, entre novembro de 2013 e outubro de 2014. Cresce também o consumo dos chamados “cafés gourmets”, com grãos especiais e os do tipo exportação. Não bastasse isso, o setor de cafeterias é o que mais cresce segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF). Como negócio o investimento não é dos maiores e o retorno do capital é rápido. A franquia a que se referia Luciana Parra, a Bookafé,  por exemplo, começou em 2009 e só cresce. A ideia inicial era unir leitura de livros evangélicos tomando um cafezinho. Os livros e panfletos evangélicos ainda estão lá,  mas o café como local de trabalho e estudos, além do consumo de pães, bolos e doces, independente da religião, decolou.

Café espresso ou expresso?

Uma curiosidade: o café preferido do brasileiro é o curto e forte. Ou seja, aquele para ser servido em xícaras pequenas (tanto que a xícara de cafezinho é diferenciada, bem menor que a de chá) e bem quente, quase pelando. Já o chocolate quente não é para ser servido pelando e o chá pode ser morninho. Mas quando se referem aos cafés curtos e fortes, os cardápios têm adotado a palavra espresso no lugar de expresso. Erro de ortografia? Algo como mussarela (derivado do italiano muzzarela) que substitui o correto muçarela? Não é erro, embora não haja ainda espresso nos dicionários de língua portuguesa.
Expresso quer dizer rápido. E espresso é o feito sob pressão, que é o tirado em máquinas. Mas como ele fica pronto até mais rápido do que um café de coador tradicional, em menos de meio minuto, não está errado em falar que você quer um café expresso.