08 de julho de 2026
Regional

Começou com desmonte de coleira

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

José Antônio Pereira começou no ramo pet há 10 anos. Era vendedor do produto que hoje fabrica. Começou desmontando uma coleira pet para observar como ela era feita. Hoje tem seis funcionários e alguns terceirizados que o ajudam na confecção de coleiras, peitorais, roupinhas e focinheiras.

Na sequência começou a pesquisar seus concorrentes. Queria saber como eram as costuras, os modelos, os materiais e as cores. “Eu fui vendedor de acessórios pet em São Paulo. Vim para Cafelândia e comecei a levar daqui para lá. Não deu certo. Parti para a confecção. Um amigo deu um modelo de peitoral canino que ele achava bom. Um senhor daqui tinha uma máquina e uma prensa pequena que eu adquiri além da máquina de costura. Depois comprei uma máquina de overloque. Hoje tenho 30 máquinas. Já cheguei a ter 20 funcionários. Hoje tenho seis e alguns terceirizados.” 

Gradativamente ele foi tomando um ‘banho’ de conhecimento. Conheceu fornecedores. Viajou inúmeras vezes para a Capital onde encontrou tudo o que precisava para começar um negócio. “São Paulo tem tudo setorizado. Costureiras foi mais fácil. Aqui tem muitas que costuram tecidos, fazem roupas. Para costurar coleiras elas tiveram que aprender a mexer com uma máquina mais pesada e lenta.”

A costura de coleiras exige orientação. “Algumas pessoas que já estavam no setor foram me ensinando. O material é mais duro do que um tecido comum. É mais rústico. Eu aprendi e passei para as costureiras. Hoje, como a cidade tem bastante fabricante de produtos pets, há profissionais habilitadas que já trabalharam com esse material.”

O negócio foi prosperando e Pereira teve que usar o espaço da garagem da casa, em um núcleo habitacional, para instalar um barracão. “Criei o barracão para instalar a fábrica. A família toda trabalha no negócio. Tenho duas filhas que estão na faculdade. Nós vivemos disso.” 

A venda dos produtos, segundo Pereira, é feita principalmente pela Internet. “Eu tinha vários contatos porque fui vendedor. Visito algumas empresas, mas 90% das vendas são feitas pela Internet. Só vendo grandes quantidades. Não vendo para o varejo. Minha venda é direta para o atacadista. Tenho vários contatos com empresas de todo o Brasil.” 

Mudança 
O Arranjo Produtivo Local (APL) e a instalação de um Distrito Industrial para abrigar o setor será, na opinião do empresário, interessantíssimo. “Eu vou para o Distrito Industrial. Vamos estar todos juntos e isso não é bom só para mim e para os meus iguais, mas para toda a cidade. Entendo que a chegada de empresas do setor de fora do município vai gerar empregos e arrecadação.”

Ele acredita no projeto e diz que a chegada de fabricantes do mesmo produto são bem-vindos. “A concorrência é sadia. Estamos precisando de empresas que façam ração ou até mesmo de um laboratório específico para pets. Aqui na região não tem e seria muito interessante. Aqui temos empresas que fabricam caminhas, casinhas, bebedouros para pássaros, cães e gatos. Comedouros, xampu, mas de ração, não temos.” 

Fabricante de caminhas faz 100 jogos por dia

Maria Lúcia Ferreira da Silva era costureira e hoje é empresária do setor pet. Há quatro anos ela adquiriu a fábrica de caminhas para cães e gatos de um sobrinho. A empresa já estava montada e tinha algumas costureira. “A empresa tinha uns seis anos. Faz quatro que estou no comando. Tinha algumas costureira, uma era minha sogra e outra era eu. Hoje somos em 12 comigo. Eu costuro, faço tudo. Para vender meu produto eu tenho que saber fazê-lo. Faço tudo, do começo ao fim.” 
A produção diária, na alta temporada é de 100 jogos de caminhas com cinco em cada jogo. “Cada jogo cinco caminhas, uma de cada tamanho. Tem dias que fazemos 75 jogos. Temos as confeccionadas em nylon e as feitas com tecidos melhores, são as caminhas de luxo.  Nós  prezamos pela qualidade, estampas diferenciadas.”

Ela frisa que as compras são coletivas. “Temos vários fabricantes na cidade. Não são concorrentes, são amigos.  Quando precisamos um deles sempre socorre. Compramos mercadorias juntos. Fabricamos praticamente a mesma coisa. Mas cada um tem um diferencial.”

A venda dos produtos é feita diretamente para as distribuidoras. “Temos catálogo, anunciamos em publicações especializadas, participamos de feiras do setor e vendemos pela Internet.  Temos um vendedor. Estamos instalados em um barracão alugado. Acredito que o distrito vai dar a oportunidade de termos nosso próprio imóvel. Maior e junto com os demais empresários do setor. Vou acomodar  melhor  os funcionários, minha mercadoria vou ter uma linha de produção mais ágil. Vendo para quase para o Brasil,” diz Maria Lúcia. 

Barracão sem espaço

José Milton Fidelis entrou no ramo pet em 1998 fabricando capas de gaiola. Quando os negócios vinculados à capa de gaiola começaram a expandir, através de contatos com clientes, outros produtos foram desenvolvidos e a empresa partir para o setor de aramados. Hoje, fabricam capas, gaiolas, poleiros e viveiros para aves e focinheira para cães.

Desde 2007, a empresa ocupa um barracão no setor industrial. Tem 28 funcionários e aprova o APL criado na cidade. “O projeto é muito bom. Temos a intenção de mudar para o Distrito Industrial Pet. Nosso barracão é pequeno. Lá vamos ter um espaço maior.  Todas as empresas do setor estarão reunidas. Vai facilitar muito. Acredito muito  que o Polo Pet de Cafelândia vai melhorar para todos além de levar o nome do município para todo o Brasil.” 

A venda, segundo Fidelis, é feita de duas maneiras. “Temos vendedores e nosso foco são os distribuidores. Também vendemos pela Internet. Nossos clientes estão nos Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Bahia, Minas, Goiás e Brasília. A crise que afeta outros setores afetou pouco o setor pet que é um dos poucos que está em ascensão.”