A cidade de Cafelândia (83 quilômetros de Bauru) está se preparando para escrever uma nova página de sua história. Entusiasmo não falta. Empresários e a administração municipal se preparam para tornar o município um Polo Pet. São 38 empresas instaladas que fabricam caminhas, casinhas e inúmeros acessórios para animais domésticos. Um Distrito Industrial focado no setor está sendo montado para acolher as empresas.
O projeto que teve início há pouco mais de três anos deverá se concretizar em aproximadamente um ano, quando as empresas estarão instaladas no novo Distrito Industrial. O prefeito Luis Otávio de Carvalho conta que desde que assumiu a administração local percebeu que a cidade não tinha uma vocação definida.
“Na verdade nós percebemos que nossa cidade tinha perdido sua identidade econômica, porque antes era o café, mas desde a década 30 deixou de ser por conta da crise mundial. Cafelândia tinha 40 mil habitantes naquela época, hoje tem 18 mil. Desde então o município não encontrou sua identidade econômica. Conheci muitas fábricas do ramo pet e percebi o potencial que tínhamos no setor. Quando iniciamos o trabalho não sabíamos se teríamos êxito, mas graças aos esforço de todos, estamos conseguindo.”
Na época, a cidade possuía pequenas empresas no setor pet que estavam instaladas na maioria das vezes em lugares improvisados. “Fundo de quintal, garagem de casa. O morador puxa um barracão a partir da casa. Isso nos chamou a atenção. Percebemos que era um caminho de desenvolvimento.”
A observação e estudo da situação fez com que a administração local partisse para a prática. “Decidimos que iríamos trabalhar o setor pet. As empresas sozinhas não tinham capacidade de, por exemplo, participar das feiras de negócio. A prefeitura alugou espaços nessas feiras de negócios do setor pet e numa união de esforços, levou as empresas para lá. Para que essas empresas abrissem o seu leque de conhecimentos do mercado pet, dos clientes. Se aproximasse dos clientes/fornecedores, coisa que não era possível porque individualmente elas não conseguiam.”
Com o diagnóstico do setor pet da cidade, a administração local passou para nova fase. Paralelamente a isso, a administração local foi buscar ajuda junto ao governo do Estado de São Paulo. “Temos 38 empresas. Junto à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciências e Tecnologia conquistamos um convênio para transformar a cidade no primeiro Arranjo Produtivo Local (APL), do setor pet do Brasil e no Estado de São Paulo. Fato que foi reconhecido pelo governo federal. Isso foi consolidou em 2015. Era um dos entraves para o setor crescer.”
Mas afinal qual é a vantagem de ter um APL? “As empresas do setor passam a ter subsídios. Linhas de crédito subsidiadas em bancos públicos ou privados para custeio e investimentos. Isso é algo que abre um leque muito grande. As empresas poderão construir seus barracões no Distrito Industrial com linhas de crédito subsidiadas. Garante parcerias com o Sebrae, Fatecs, Etecs para formação de mão de obra, dentre outras coisas. Vão ficar todas no mesmo local.”
Investimento é mais de R$ 3 milhões em um terreno próximo da SP-300
Para construir um novo Distrito Industrial que possa abrigar o setor pet, a prefeitura de Cafelândia desapropriou uma área de aproximadamente cinco alqueires ou 100 mil metros quadrados.
Localizada estrategicamente à margem direita do quilômetro 422 da rodovia Marechal Rondon, sentido Interior/Capital, o local terá visibilidade e acesso fácil. O investimento foi de R$ 1,5 milhão, pagos com recursos próprio do município.
Para o prefeito, a área facilita a logística e não deixa de ser uma vitrine. “Escolhemos essa área para que a cidade. Enquanto aqui temos 18 mil moradores lá passam 20 mil pessoas por dia. A área tem cinco alqueires. Buscamos recursos junto ao governo do estado, por meio de financiamento do Desenvolve São Paulo. O financiamento foi para construção do nosso distrito industrial nessa área, com toda a infraestrutura necessária. O investimento foi de R$ 3,3 milhões. Vai ser um local organizado. A partir disso, passamos a conceder terrenos para as empresas instalarem suas empresas lá.”
Além de receber uma área gratuita com toda a infraestrutura em local estratégico a lei criada pelo município concede o terreno e permite que a empresa o dê como garantia para levantar o dinheiro no banco. “Em primeiro lugar colocamos as empresas do município. Depois vamos buscar outras. As 38 daqui já estão com lugares reservados. Outras 40, de fora do município, estão interessadas. Estamos trabalhando com a concessão de 60 espaços. Cabe um pouco mais.”
O parcelamento de solo do distrito pode chegar até 90 lotes. “As pequenas empresas já garantem aproximadamente 700 empregos e faturam juntas por ano, cerca de R$ 40 milhões. A expectativa é de que esse movimento, que representa mais empregos para os moradores, cresça com o Polo Pet. O impacto na economia local, gerado pela construtora responsável pela execução do polo será de aproximadamente R$ 500 mil/mês.”
As obras já foram iniciadas e têm prazo de conclusão de 120 dias a partir do final de junho. “As empresas terão dois anos para construir suas unidades produtivas de acordo com a lei de concessão prorrogável por mais dois anos. Desde que nos primeiros dois anos ela construa no mínimo 40% do projeto integral. Queremos instalar empresas que compõem a cadeia do setor pet. Aqui temos fabricantes de acessórios para animais domésticos. Estamos buscando parcerias com empresas da área de ração, que é o food e medicamentos.”
O município vive um período de entusiasmo enquanto a maioria vive um período de desânimo, diz o prefeito. “Até o final do ano está tudo concretizado. As concessões para o Distrito Industrial também estão prontas. Por meio de parcerias com o Sebrae e Senai vamos construir um centro tecnológico para desenvolver o setor. O projeto prevê ainda a incubadora de empresas e o apoio ao pequeno empreendedor. O objetivo é fazer que a cidade se torne a capital de negócios no setor pet. Com feiras e eventos. É um setor que cresce três dígitos há muitos anos. O Brasil é o segundo mercado mundial de pet. Os Estados Unidos estão na frente anos luz.”