A Bovespa teve nesta segunda-feira (18), sua nona alta consecutiva, comandada principalmente pelos investidores estrangeiros, em meio ao cenário internacional mais ameno e um aumento do sentimento positivo com o Brasil. O Índice Bovespa avançou 1,63%, aos 56.484,21 pontos - maior nível desde 15 de maio de 2015. Nos 12 pregões de julho, o Ibovespa subiu em 11. Com isso, acumula alta de 9,62% no mês e de 30,30% no ano.
A eleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Câmara dos Deputados, em substituição ao deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é um dos pontos mais citados para justificar o bom humor do investidor do Brasil, que aposta em avanço do governo nas medidas fiscais a serem enviadas ao Congresso. Relatórios de bancos estrangeiros aumentando a recomendação de Brasil e expectativa de corte de juros no País no médio prazo também compõem essa perspectiva mais benigna.
As altas foram generalizadas no mercado, mas os analistas chamaram a atenção para um dos setores mais sensíveis à expectativa de retomada da economia, mas que andava "largado" na Bovespa recentemente: o de construção. Na lista de maiores altas do Ibovespa esteve Cyrela ON (+3,56%). Fora do índice, ações como PDG Realty ON (12,50%) e Rossi Residencial ON (+8,95%) foram os grandes destaques. É um setor que não vem de resultados bons, mas que refletem a expectativa de queda de juros, por exemplo, disse Castro Alves.
O setor elétrico também esteve entre as maiores altas, refletindo a expectativa de privatizações, fusões e aquisições no setor. Cemig PN subiu 5,31% e foi a quarta maior alta do Ibovespa. Copel MPNB avançou 2,59%. Já Cesp PNB, que havia subido mais de 18% na sexta-feira, com o aceno de privatização do governo de São Paulo, hoje passou por realização de lucros e caiu 2,65%, liderando as perdas do índice.
As ações da Petrobras tiveram importante papel no desempenho da Bolsa. Os papéis subiram 3,33% (ON) e 4,81% (PN), mesmo com quedas significativas nos preços do petróleo no mercado internacional. O noticiário positivo recente para a estatal foi um dos motivos para a alta, assim como o exercício de opções na Bolsa, que impulsionou os papéis.
Dólar
O dólar se firmou em queda durante à tarde ajudado por um volume baixo de operações, após manhã instável. A pressão vendedora aumentou com expectativas de elevação da liquidez global e migração de capital estrangeiro para o Brasil. Os principais indutores foram as apostas no adiamento da alta de juros nos EUA e transferência para o Brasil de recursos anteriormente destinados à Turquia, enquanto o mercado aposta também numa melhora da economia nacional.
No balcão, o dólar fechou hoje aos R$ 3,2499, em queda de 0,53%. O giro total ficou em US$ 481,211 milhões, frente aos US$ 1,533 bilhão na sexta-feira, de acordo com informações registradas na clearing da BM&F Bovespa. Já no mercado futuro, o contrato de dólar para agosto fechou em baixa de 0,93%, aos R$ 3,2665. Esse contrato movimentou US$ 8,185 bilhões.
O dólar iniciou o dia instável, oscilando entre perdas e ganhos durante a manhã. No entanto, a moeda encontrou uma direção mais clara de queda com a entrada de recursos pela via comercial. O movimento foi intensificado pela perspectiva de que o fluxo positivo deve aumentar, principalmente, após a conclusão do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
A aposta do mercado de uma economia melhor em 2017, mostrada pela Pesquisa Focus, também contribuiu para as vendas de dólar. Para o gerente de mesa de derivativos de uma corretora, a tendência é de queda e, por isso, a atuação do Banco Central vem tendo efeito limitado no dólar.
A queda das estimativas para o dólar neste e no próximo ano também foi mostrada pela Pesquisa Focus do Banco Central, apesar dos sucessivos leilões de swap cambial reverso. Nesta terça-feira, 19, o BC realiza mais um leilão de swap cambial reverso.
A evolução das perspectivas nacionais contrasta com as incertezas em torno da Turquia, que passou por uma tentativa de golpe militar no fim de semana. "A tentativa de golpe na Turquia pode induzir um pouco mais de fluxo para o Brasil em meio a ativos com preços ainda atrativos", afirmou um operador de uma corretora.
Juros
Os juros futuros terminaram entre a estabilidade e leve baixa a sessão regular, que foi pautada pelo volume muito reduzido de contratos negociados e oscilação restrita de taxas. Ao contrário do que se poderia imaginar a partir do fechamento tenso dos contratos na etapa estendida na sexta-feira, os conflitos na Turquia não chegaram a ter impacto hoje nos ativos domésticos, mesmo porque a situação se resolveu. A falta de destaques no noticiário e a agenda mais fraca também justificaram uma sessão esvaziada nesta segunda-feira, mas o ambiente externo calmo, o dólar em baixa e a pesquisa Focus colaboraram para um viés de queda para os contratos.
No fim da sessão regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI), que movimentou 36.390 contratos, fechou em 13,880% (máxima), de 13,875% no ajuste anterior. O DI janeiro de 2018 (59.450 contratos) encerrou em 12,67%, de 12,69% no último ajuste. O DI janeiro de 2021 (62.040 contratos) fechou em 11,95%, de 11,97%.
Após os conflitos que deixaram quase 300 mortos na Turquia, a liderança militar do país declarou oficialmente ontem que a tentativa de golpe contra o governo foi neutralizada, o que ajudou a lira turca a recuperar parte das perdas da última sessão. Por aqui, o impacto ficou limitado aos negócios no final da sexta-feira.
Na agenda doméstica, o único destaque foi a pesquisa Focus, que trouxe alívio das estimativas de inflação de 2017, favorecendo o viés de queda para o mercado. A mediana das previsões para o IPCA no ano que vem, onde está agora o foco do Banco Central na política monetária, passou de 5,40% para 5,30%, enquanto para 2016 a mediana permaneceu em 7,26%.
As taxas curtas fecharam coladas aos ajustes anteriores, refletindo o consenso do mercado de que a Selic deverá permanecer em 14,25% ao ano. Nesta terça-feira, 19, o Comitê de Política Monetária (Copom) inicia sua reunião de política monetária de dois dias, a primeira sob da gestão de Ilan Goldfajn e de seus principais diretores.