10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Bovespa tem 10ª alta seguida com percepção positiva com Brasil

Por Paula Dias, Silvana Rocha, Lucas Hirata e Denise Abarca | AE
| Tempo de leitura: 6 min

A Bovespa emplacou nesta terça-feira (19), sua décima alta consecutiva, na maior sequência de ganhos verificada desde agosto de 2010. A melhora de percepção com o cenário doméstico e o noticiário corporativo mais favorável foram fundamentais para a manutenção do apetite do investidor, elevando os ganhos da bolsa para 10,04% em julho e 30,79% em 2016. No fechamento, o Ibovespa marcou 56.698,06 pontos, na máxima do dia, em alta de 0,38%. Pela manhã, o índice chegou a cair 0,42%, influenciado pelo cenário externo avesso a risco, em meio a incertezas econômicas e geopolíticas.

A manutenção do fluxo positivo de recursos externos continuou a sustentar as altas na bolsa brasileira, assim como em mercados acionários de outros países emergentes. A melhora do sentimento em relação ao País vem dando fôlego extra nos últimos dias. Além de avanços do governo em questões políticas, os investidores passaram a observar um aumento da movimentação das empresas no que diz respeito à busca por capitalização e investimento. Com isso vieram também diversos relatórios de bancos elevando a recomendação de ações brasileiras.

As ações da Petrobras estiveram em evidência durante praticamente todo o dia, principalmente porque minimizaram as quedas fortes dos preços do petróleo no mercado internacional. Além de expectativa de avanço no plano de desinvestimentos e numa melhora na gestão da empresa, os papéis refletiram a melhora de percepção geral com o País. Petrobras PN, mais negociada, teve alta de 1,99%. Petrobras ON, preferida pelos estrangeiros, avançou 1,24%. O mesmo aconteceu com as ações ordinárias do Banco do Brasil, que subiram 4,86%, em um dia de queda generalizada no setor financeiro.

Já os papéis da Vale foram o contraponto do dia, com quedas relevantes durante todo o pregão. A baixa de 2% do minério de ferro no mercado à vista chinês derrubou não apenas a mineradora brasileira, como também as ações de suas pares pelo mundo. Vale fechou em queda de 4,21% (ON) e de 2,84% (PNA).

O volume de negócios totalizou R$ 7,11 bilhões, ligeiramente acima da média de julho, de R$ 6,803 bilhões. Os investidores estrangeiros trouxeram R$ 359,332 milhões à bolsa na última sexta-feira, levando o acumulado de julho a ficar positivo em R$ 3,442 bilhões. Em apenas 15 dias, portanto, julho já é o segundo maior mês em termos de ingresso de recursos externos na Bovespa em 2016, atrás apenas de março, quando R$ 8,391 bilhões ingressaram no mercado.

Dólar - O dólar reduziu a alta ante o real durante a tarde desta terça-feira, em meio à entrada de recursos no mercado pela via comercial e da perspectiva de liquidação amanhã do leilão de títulos do Tesouro Nacional realizado hoje. As novas medidas de estímulo anunciadas pelo Banco Central da Turquia também sustentaram as expectativas de fluxo financeiro adicional para o Brasil, uma vez que a confiança na economia nacional tem se fortalecido, disseram operadores, com base em novas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Instituto Internacional de Finanças (IIF).

No balcão, o dólar à vista fechou aos R$ 3,2572, em alta de 0,22%, pouco acima da mínima intraday de R$ 3,2547 (+0,15%). De acordo informações registradas na clearing da BM&F Bovespa, o volume total de negócios somou US$ 952,500 milhões, acima dos US$ 481,211 milhões de segunda-feira, mas bem menor que a média diária. No mercado futuro, às 17h17, o contrato de dólar para agosto avançava 0,11%, aos R$ 3,2700, com giro de US$ 11,225 bilhões.

Expectativas de manutenção da taxa Selic, em 14,25% ao ano, contribuíram para a desaceleração do dólar, disse o gerente de mesa de derivativos de uma corretora. Segundo o profissional, o mercado espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) forneça alguma sinalização sobre futuros cortes nos juros básicos quando anunciar sua decisão amanhã, ao fim de sua reunião de dois dias.

"Há percepção de que, se a Selic for mantida amanhã em 14,25% ao ano, poderá haver migração de investidores para cá, após os estímulos anunciados hoje pelo BC da Turquia", afirmou o especialista. A instituição turca decidiu reduzir hoje a taxa para concessão de empréstimos no overnight, de 9% para 8,75%, após reunião de política monetária.

Há ainda a possibilidade de um fluxo financeiro favorável amanhã, por conta da liquidação do leilão de títulos de longo prazo feito hoje pelo Tesouro Nacional, afirmou uma fonte de câmbio.

A expectativa de liquidez também é reforçada pela possibilidade de o Banco Central Europeu (BCE) sinalizar para breve algumas medidas de incentivo à economia. A instituição reúne-se nesta quinta-feira, pela primeira vez desde a decisão do Reino Unido sair da União Europeia.

O viés de alta do dólar ante o real, porém, sustentou-se na sessão em meio a um baixo giro de negócios e o cenário externo instável, depois do índice ZEW de sentimento da economia na Alemanha" apontar uma queda a 6,8 em julho, ante +19,2 de junho

Taxas de juros - Os juros futuros terminaram nesta terça-feira perto dos ajustes da sessão anterior, com viés de queda no trecho curto e de alta na parte longa. O desempenho do dólar ante o real, o leilão de venda de Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-B) e a expectativa pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) amanhã foram os principais vetores a conduzir os negócios nesta terça-feira.

Ao término da etapa regular, o contrato com vencimento em janeiro de 2017 fechou com taxa de 13,865%, ante 13,880% no ajuste de ontem, com 134.230 contratos. O DI janeiro de 2018 (53 880 contratos) fechou estável em 12,67%. O DI janeiro de 2021 (82.140 contratos) encerrou em 11,99%, de 11,95%.

Pela manhã, os mercados passaram por um movimento de correção a partir de preocupações vindas do exterior, após um dado fraco sobre o sentimento econômico da Alemanha, balanços corporativos mistos nos EUA e tensão geopolítica. O dólar chegou a subir mais de 1% ante o real, em linha com o desempenho lá fora, puxando junto as taxas longas, sobre as quais também pesavam as operações relacionadas ao leilão de NTN-B. Passado o leilão, houve alívio no trecho longo, uma vez também que o dólar passou a renovar as mínimas do dia.

O Tesouro vendeu toda a oferta de até 500 mil títulos de longo prazo, sendo 113.450 papéis para 15/5/2035 e os demais 386.550 títulos para 15/5/2055, que, segundo profissionais da área de renda fixa, foi a maior colocação de NTN-B longa desde outubro de 2014. Nos prazos mais curtos, a oferta era de até 1,5 milhão de papéis e a instituição vendeu 1.156.650 títulos, sendo 852 600 NTN-B para 15/5/2021 e 304.050 títulos para 15/8/2026. O volume financeiro ficou em R$ 4,9 bilhões.

Quanto aos curtos, após uma manhã de estabilidade, os principais contratos passaram a exibir leve queda a partir do meio da tarde, com montagem de posições na expectativa de alguma sinalização sobre futuros cortes da Selic por parte Copom, que iniciou hoje sua reunião de política monetária de dois dias. Quanto à decisão, permanece o consenso em torno da estabilidade da taxa básica de 14,25% amanhã.