08 de julho de 2026
Articulistas

Que homem?

Nélson Itaberá Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

Não curto nenhuma posição extremista. E também confesso minha pouca afeição a vários “ismos”, assim como minha posição refratária a exageros, mesmo que embutido nessa ‘entranha comportamental” venha um toque de boa intenção.

Ah! Não gosto de panfletagem de movimento feminista. E explico: não acho que seja necessário ‘guerra’ de nada, muito menos disputa, nem de gênero. Se o ser humano é ‘igual’, que se ajuste em suas diferenças. Ponto! Por isso, profetizada minha afeição pela liberdade e honestidade intelectual, eis-me aqui para palavrear sobre o “Dia do Homem”, que alguém determinou ser em julho.

Sem afã algum, não acho necessário sequer dia para lembrar do homem. Não é frescura, nem ‘carrancudice’ de minha porção machista. Sim, porque, por essência, todos deveríamos, de partida, assumir que algum DNA machista há em nós. Isso torna as questões mais leves.

Argumentar sobre algo culturalmente impregnado em nós sem admitir sua existência é, por si, um pingo de contaminação semântica.

Assim, acho que teria mais utilidade existir o dia do gênero. Assim, em uma visão menos egocêntrica, talvez, incluiríamos todos na corrente por um mundo melhor. E, claro, esse dia seria a vez de celebrar todas as formas de amar, de viver. Convenhamos, fica, no mínimo mais bonito, mais leve.

Mas já que existe o dia do homem, curiosamente fixado somente em 1999, há pouco, falemos do passado 15 de julho. O homem, de cara, precisa aprender a chorar! Precisa entender que essa história de que cresceu e foi “treinado” para ser forte, provedor, é muito machista.

O homem precisa também aprender a exigir do poder público programas preventivos – permanentes – para próstata, tabago, bebida, câncer, andropausa... E que o homem pare de frescura com o tabu de um médico apalpando seu ânus por um instante para ver como está a próstata.

O homem precisa parar, de uma vez por todas, de ir ao médico quando a saúde já está debilitada. É preciso nesse quesito, como em outros, aprender com as mulheres, que frequentam os consultórios com muito mais habitualidade.

No tal dia do homem, que já se foi, vamos celebrar também o lado mais feminino daqueles que nascem com a missão de controlar a testosterona social. Sugiro que os homens exercitem o aprendizado com o colo. Sim, peçam, com gentileza, que suas parceiras e parceiros ofereçam o afeto como condição para a junção das almas.

É um aprendizado, imagino. Mas não custa tentar. Aos machões e trogloditas de plantão, envio meu fraterno abraço. Aos amigos, os sensíveis, os parceiros, os solidários, um beijo!


O autor é jornalista e compositor