10 de julho de 2026
Nacional

PF prende 10 suspeitos de preparem atos terroristas durante Olimpíada


| Tempo de leitura: 4 min

José Cruz/Agência Brasil
Para ministro da Justiça, fatos descobertos pela operação não alteram o grau de temor do governo

A Polícia Federal prendeu ontem dez brasileiros suspeitos de atos simpáticos a terrorismo que poderiam atingir a Olimpíada do Rio de Janeiro, que começa no dia 5. Ao todo, foram expedidos 33 mandados judiciais, sendo 12 de prisão, nos Estados de Amazonas, Ceará, Paraíba, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. Dois alvos ainda não tinham sido capturados até a noite de ontem.

As forças de segurança vinham monitorando 100 pessoas que manifestavam simpatia ao Estado Islâmico no Brasil. Os dez presos compunham os 10% que mais despertaram atenção das forças de segurança.

Um dos presos é Vitor Barbosa Magalhães, morador de Guarulhos. Localizada pela reportagem, a mulher dele, Larissa, disse que o marido se converteu ao islamismo e aprendeu a falar árabe numa viagem ao Egito, em 2012.

“Tenho certeza absoluta que meu marido não é terrorista. Estou com ele há muito tempo e saberia se fosse.”

Esta foi a primeira ação anti-terrorismo realizada após a aprovação da lei que tipificou crimes dessa natureza.
Embora não haja registros de contatos diretos com terroristas, um dos suspeitos chegou a entrar em contato com empresa de armas para comprar fuzil AK-47, o que acabou não acontecendo.

Pelo menos quatro, segundo as investigações, fizeram o juramento de lealdade ao Estado Islâmico por meio de um site da Internet que oferece uma gravação do texto que deve ser repetido por quem deseja fazer parte da facção.

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, classificou o grupo como “amador” e disse que os fatos descobertos pela operação não alteram o grau de temor do governo em relação a possíveis investidas de facções extremistas.

“Aparentemente, era uma célula absolutamente amadora, sem nenhum preparo. Se fosse preparada não tentaria comprar arma pela na Internet. E não aumenta em nada o nível de alerta. Já estávamos mapeando essa situação”, disse o ministro, que manteve o discurso de que a criminalidade no Rio preocupa mais que o risco de atentados durante os Jogos.

De acordo com Moraes, o grupo, que se auto-intitulava Defensores da Sharia, se comunicava pela Internet e tinha um líder, que convocou os demais a iniciarem uma preparação, com treinamento de artes marciais e de tiro.

A declaração dele sobre a existência de um líder não foi confirmada pelo juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14.ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, responsável por autorizar a operação.

“É difícil falar de liderança já que todos os contatos se davam de maneira virtual”, disse. “Essa questão da liderança quero esclarecer que foi uma leitura feita pelo ministro da Justiça”, ressaltou.

As investigações começaram em abril. Num primeiro momento, os diálogos e sites visitados pelos suspeitos não indicavam que pretendiam realizar investida no Brasil. Na ocasião, diziam, segundo Moraes, que o país não compunha coalizão de nações inimigas do Estado Islâmico.

Passado um período, o discurso e os planos mudaram, sob argumento de que o Rio, sede dos Jogos, receberá milhões de cidadãos de diferentes países alvos do EI.

Entre 20 e 40 anos

Os participantes do grupo têm entre 20 e 40 anos e, nas conversas virtuais, chegaram a elencar maneiras de realizar um ataque não só no Rio, mas em países do Exterior, conforme a reportagem apurou.

Os dois criadores do grupo já passaram pela polícia e também se converteram ao islamismo no período em que cumpriam pena por homicídio num presídio em Tocantins. A partir de então, passaram a cooptar novos membros. Todos utilizavam pseudônimos e tinham como missão buscar mais integrantes.

Além dos 12 que foram alvo de mandados de prisão, a PF investiga um menor de idade e o responsável por uma ONG suspeita de se utilizar de sua atuação educacional para encontrar pessoas dispostas a aderirem aos conceitos extremistas. O diretor da instituição foi conduzido a prestar depoimento.

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, fez coro ao colega do governo e disse que os suspeitos não tinham “know-how” para realizar o que planejavam. “O grupo não tinha nenhuma tradição (...). Estavam no terreno das possibilidades. Mas, no momento em que deram esse passo (iniciar preparativos para um ataque terrorista), passaram para o das probabilidades e, por isso, foram detidos”, reafirmou Jungmann.