| Samantha Ciuffa |
| Se o projeto for aprovado, os condutores não serão obrigados a aguardar no semáforo em determinados cruzamentos durante a madrugada |
Um Projeto de Lei (PL) apresentado na Câmara Municipal nesta semana reacendeu a discussão sobre os chamados semáforos intermitentes em Bauru. A proposta prevê que os equipamentos, especificamente de vias de pouco fluxo de veículos e pedestres, funcionem entre meia-noite e 5h em sistema de alerta, com luz amarela piscante.
Se o projeto for aprovado e virar lei, os condutores não serão obrigados a aguardar no semáforo na madrugada e não serão multados por passar no vermelho, evitando possíveis assaltos noturnos.
A proposta, encabeçada pelo vereador Raul Gonçalves Paula (PV), agradou motoristas, conforme o JC apurou (leia mais abaixo). Já a Emdurb é contrária ao sistema e aponta que a medida não garante mais segurança. Pelo contrário, poderia impulsionar a imprudência e, consequentemente, aumentar o número de acidentes.
Dentro da lei
A lei proposta é inspirada em um projeto de âmbito federal, que tramita no Senado, atualmente.
Em Bauru, o PL apresentado na última segunda-feira seguirá para análise da Comissão de Justiça da Câmara e pode voltar à plenária daqui a algumas semanas. “Espero que seja aprovado ainda neste ano, antes da lei federal”, comenta Raul.
Pelo texto apresentado na Câmara municipal, a autoridade de trânsito, no caso a Emdurb, estabeleceria os pontos de funcionamento do sistema, assim como também outros horários para o início e o término da operação, conforme estudos estatísticos sobre as características de fluxo de cada trecho.
“A Nações Unidas está fora porque é uma avenida movimentada, mas a avenida Pedro de Toledo, por exemplo, é deserta e não tem sentido o motorista ficar parado de madrugada e correndo risco, assim como em outras ruas do Centro”, aponta o vereador.
Atualmente, independentemente do horário, o avanço ao sinal vermelho, apesar de prática comum nas madrugadas, é considerado infração gravíssima pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e passível de multa de R$ 191,54.
Funcionamento
O funcionamento do sistema, aos olhos da lei municipal, dependeria da instalação de placas com a inscrição “Dê a preferência”, na via secundária dos cruzamentos escolhidos, para evitar acidentes. Além disso, esses semáforos também receberiam placa indicando o horário de funcionamento do sistema intermitente.
“Até a cidade de Lençóis Paulista já tem. Os cruzamentos com essa sinalização impõem aproximações cuidadosas. Condutores de ambas as vias seriam obrigados a conter a velocidade e redobrariam a atenção”, observa Raul Paula.
As despesas decorrentes da execução da lei, segundo o PL, seriam cobertas por dotações orçamentarias próprias, “suplementadas se necessário”. O que pode levantar polêmica em caso de dispêndio à prefeitura.
O presidente da Emdurb, Nico Mondelli, afirma, contudo, que o sistema não é oneroso e que a implantação demandaria apenas de “uma nova configuração dos semáforos já existentes”.
Mais riscos?
Nico destaca, no entanto, que a empresa é contrária à medida por acreditar que essa não é a melhor saída para a segurança dos condutores da cidade.
“Há uma preocupação de que os munícipes não entendam essas placas. Além disso, não temos essa demanda em Bauru. Teria que ser em área deserta, mas o Centro dá acesso a muitos bairros e possui fluxo de carros à noite”, argumenta o presidente da Emdurb.
“Mesmo em ruas como a Presidente Kennedy e Ezequiel Ramos, a instalação desse sistema é arriscada. Os motoristas poderiam aumentar sua velocidade e cruzar o semáforo sem parar e dar a preferência, colocando em risco a vida dos demais”, acrescenta.
Apesar disso, Nico admite que não tem acompanhado o resultado da implantação do sistema em outras cidades.
Fala motorista
Você é a favor do semáforo intermitente?
“Sou a favor. Até porque o pessoal, por medo, já não respeita o sinal vermelho durante o final da noite e madrugada. Não acho que vá gerar riscos, já há certo cuidado” (Kátia Novelli,
33 anos)
“Acho viável esse dispositivo durante a madrugada para dar mais segurança aos motoristas. O problema é que muita gente pode acabar abusando da velocidade” (Leandro Acácio dos Santos, 29 anos)
“Sou favorável. Estou sempre com crianças no carro e dá medo de parar certas horas em alguns locais. E sempre tem alguém abordando e pedindo dinheiro” (Thaís Franco, 38 anos)
“É uma medida que pode ajudar se for implantada nos pontos que precisam, como no Centro, por exemplo. Se for na cidade toda, acho que vai atrapalhar e gerar riscos” (Benedito Márcio da Silva, 32 anos)