09 de julho de 2026
Articulistas

Escola é o lugar onde se aprende a ser democrático

Sérgio César Júnior
| Tempo de leitura: 2 min

A partir do momento em que o ser humano perde sua capacidade crítica sobre os assuntos importantes da vida, ele não se torna simplesmente um ser neutro e apático às ideologias, ou opiniões próprias, ele simplesmente abdica do direito que ele tem de viver em sociedade. Ele deixa de ser uma pessoa preparada para enfrentar a vida e fazer escolhas que possam ser decisivas na sua vida e na vida de outros, para ser um irresponsável. Seu raciocínio se torna neutro, pois desativou todos os sentidos da percepção, consequentemente, se move pela pressão das ordens emitidas por alguém que o alienou e passou a comandar suas ações.

O projeto “escola sem partido” pode gerar um grande perigo de formarmos médicos, advogados, militares, enfermeiros, administradores de empresas, engenheiros, jornalistas, economistas, diplomatas e até mesmo padres e pastores que podem cometer erros gravíssimos e que vão destruir a vida de milhares de pessoas com isso. Isso não é exagero nenhum.

Vamos refletir um exemplo: imagine um médico que ignorou conhecimentos de história, filosofia, sociologia e trazidos de uma obra literária, porque alguém falou para ele que isso “são coisas do satanás”. De repente aquilo que lhe conceituaram como “coisas do satanás” o faria repensar a realidade em que está vivendo e que com certeza seria decisivo na hora de diagnosticar um paciente, de saber a origem de uma doença desde o contágio até a algum tipo de sabedoria popular, que o ajudasse a formular um remédio, ou a forma de tratar e curar.

Até mesmo para saber de que forma esse conhecimento e a sua capacidade crítica pode ajudá-lo durante uma cirurgia num paciente.

Um ser humano crítico é aquele que propõe soluções. Por isso nenhum dogma, ou doutrina, ou orientação apriorística deve se sobrepor ao conhecimento científico, ou sabedoria sobre a realidade.

O objetivo dos autores desse projeto (“escola sem partido”) é controlar sujeitos e indivíduos para servir ao sistema que anula qualquer capacidade contestatória. Não sendo crítico, o indivíduo e o sujeito não conseguem desenvolver qualquer argumentação frente as ordens dos representantes da sociedade no poder público.

Muitos conservadores querem combativamente fazerem prevalecer seus projetos políticos nefastos, visando à exploração das classes populares.

Por esse motivo devemos dizer não a esse projeto de fabricação de seres humanos acríticos. Todo o ser humano é politizado e voluntariamente possui e manifesta suas convicções religiosas e ideológicas.

É nosso dever como cidadãos democráticos dentro de um regime republicano conviver respeitosamente com a pluralidade ideológica, política e religiosa em nossa sociedade.


O autor é mestrando de História pela Unifesp