10 de julho de 2026
Bairros

Golpe do "banco delivery" faz três vítimas em Bauru

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr./JC Imagens
Imagem simula momento em que vítima entrega o cartão bancário para falso funcionário

Três pessoas em Bauru, duas delas moradoras de uma mesma rua, foram vítimas de um novo tipo de fraude nos últimos dias. Trata-se do golpe do “banco delivery”, que já deixou um prejuízo total de quase R$ 70 mil. Por telefone, o estelionatário convence a vítima a entregar cartão bancário a um motociclista disfarçado de funcionário do banco.

O crime funciona assim: a pessoa recebe uma ligação e é informada que seu cartão foi clonado. Ela é convencida pelo estelionatário, que se passa por funcionário de agência bancária ou de operadora de cartões, a confirmar sua senha e entregar o cartão. E a recolha é “delivery”. Um motociclista dizendo estar a serviço do banco vai até a residência da vítima.

A prática surpreende pela capacidade dos estelionatários em obter informações privilegiadas das vítimas, como nome completo dela e de familiares, telefone, endereço e dados bancários. Essas referências acabam sustentando o convencimento da vítima.

Na quarta e quinta-feira da semana passada, um idoso de 77 anos, um representante comercial de 64 e uma mulher de 57 foram os alvos. As identidades não serão reveladas por questões de segurança.

Os três casos resultaram prejuízo total de quase R$ 70 mil e acenderam alerta na Polícia Civil. Um inquérito instaurado nesta semana deu início às investigações (leia mais abaixo).

Sequência

A primeira ocorrência foi registrada por volta das 10h da última quarta-feira e vitimou uma mulher, moradora da rua Alfredo Ruiz, no Jardim Estoril. Após um telefonema de uma pessoa que se identificou como seu gerente bancário, ela foi convencida a entregar seus cartões e o cartão da sua filha para bloqueio.

Além dos dados, o golpista possuía informações sobre a rotina de gastos da vítima e até o saldo da conta.

Alguns minutos depois da conversa, um motociclista com um colete com o holograma do banco foi até sua casa e recolheu os cartões.

Em contato com o SAC da instituição, algumas horas depois, a vítima descobriu a fraude e compras e saques com um total de R$ 31.850,00.

O segundo crime ocorreu às 11h30 do mesmo dia e vitimou um representante comercial, morador da rua Semi Gebara, no Jardim América.

Confiante nas informações do telefonema de um falso operador de cartões, ele entregou seu cartão a um motociclista. “Ele estava com uma jaqueta de segurança e a pessoa no telefone era bem clara e objetiva. Antes de entregar, até cortei o cartão, mas não o chip”, comenta a vítima.

Horas depois, ele resolveu ir até sua agência bancária e descobriu um prejuízo de R$ 19.322,00. “Estou assustado. Confesso que, depois do golpe, não tenho mais usado o telefone de casa”.

Mais prejuízo

O terceiro golpe registrado na Polícia Civil ocorreu na manhã do dia seguinte. Um idoso de 77 anos, também morador da rua Alfredo Ruiz, mas no Centro, acabou tendo prejuízo de R$ 15.900,60, entre saques, compras no débito e crédito.

Em boletim de ocorrência, a vítima diz ter desconfiado logo no primeiro momento e diz ter ligado para sua agência bancária. A informação da clonagem do cartão, no entanto, teria sido confirmada também por uma pessoa de dentro da suposta agência.

Por volta das 16h daquela quinta-feira, o gerente do banco ligou para a filha do idoso alertando sobre várias compras registradas em nome dele, confirmando o golpe. Alguns valores, entretanto, foram estornados.

Alerta

Titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru, Eduardo Herrera alerta que esse tipo de serviço “delivery” por parte dos bancos não existe e que é preciso atenção ao receber telefonemas oferecendo qualquer tipo de assistência. “Esse serviço de recolhimento de cartões não existe. Jamais se deve confiar em ligações, ainda desse tipo. O melhor a fazer é ser curto e grosso em um primeiro momento. Posteriormente, ir até sua agência bancária ou então consultar sua conta via Internet. E nunca fornecer senhas”, observa o delegado.

Polícia fala em quadrilha ramificada e organizada

Saques, compras de alto valor no débito e no crédito em lojas de departamentos variadas e em mercados. Os golpistas souberam aproveitar bem das poucas horas de vantagem que tiveram com o cartão e senha das vítimas em mãos.

“Tudo indica que há uma quadrilha ramificada e organizada, que tinha informações privilegiadas dessas pessoas”, comenta o delegado Eduardo Herrera, titular da DIG de Bauru.

A polícia, agora, tenta traçar o caminho inverso dos golpistas, tentando chegar à fonte dessas informações. “Não dá para dizer que vem de dentro dos bancos. As próprias vítimas podem ter confirmado informações sem notar. Além disso, todos temos dados online, hoje, basta fazer crediário em algum lugar”, pontua Herrera.

Ele também acredita que o fato de as vítimas residirem em bairros antigos e próximos pode ter facilitado a descoberta. “Duas das vítimas são idosas, público-alvo dos golpes”, pontua o delegado.

Imagens dos caixas eletrônicos, das câmeras de segurança de agências bancárias e de algumas das lojas onde as compras foram efetuadas também devem ajudar a polícia nas investigações.