| Wdelanielen Ortiz/ Divulgação |
| José Eduardo Fogolin retoma cargo de coordenador do Samu de Bauru, após oito anos em Brasília |
Com 3 mil atendimentos mensais, o Samu de Bauru realiza um trabalho de reconhecida importância que, agora, começará a ser melhor monitorado. A intenção é instituir, ainda neste ano, uma espécie de ouvidoria, em que usuários serão contatados para registrar suas impressões sobre o serviço.
A proposta é do novo coordenador do Samu na cidade, José Eduardo Fogolin, que retornou ao cargo no dia 10 de julho, após oito anos afastado para se dedicar ao planejamento de políticas públicas junto aos ministérios da Saúde e da Educação, em Brasília. “É uma iniciativa que eu trago a partir de uma experiência que acompanhei em âmbito federal com pacientes que receberam órteses e próteses pelo Sistema Único de Saúde”, comenta.
A expectativa é de que a ouvidoria comece a funcionar até o final de agosto. A ideia é enviar carta ou fazer contato telefônico para registrar as críticas, sugestões ou aprovações de uma parcela dos pacientes atendidos pelo Samu, de acordo com a região em que vivem e o tipo de socorro recebido.
“O serviço funcionará por amostragem, para instituirmos uma forma de controle. Queremos medir se o usuário recebeu o atendimento adequado e adotar as medidas necessárias se o Samu não estiver sendo bem avaliado em algumas áreas da cidade”, pontua.
Fogolin explica que a medida integra seu plano diretor estratégico, que tem como objetivo melhorar a qualidade do trabalho, seja por meio da capacitação dos profissionais ou do aprimoramento da logística para reduzir o tempo-resposta (que decorre entre a solicitação e o atendimento ao paciente). “E o reconhecimento da população é parte importante deste processo”, acrescenta.
Também em busca de maior satisfação do usuário, ele planeja dar às motolâncias, ainda neste ano, uma nova atribuição – a de prestar atendimento a pacientes que não são prioritários, conforme o grau de risco avaliado pelo médico regulador do serviço (leia mais abaixo). São estes usuários, normalmente, que aguardam por maior tempo até a chegada das equipes e que, potencialmente, têm mais motivos para reclamar do Samu.
Denúncias
Com o objetivo de contornar deficiências, a partir de hoje até a próxima semana, o novo coordenador irá realizar reuniões com todos os grupos de profissionais do serviço. O objetivo é apresentar seu plano diretor e ouvir as dificuldades enfrentadas pelos servidores.
Em carta enviada anonimamente ao JC, eles teceram críticas em relação à estrutura disponível para o atendimento aos usuários. Entre as denúncias, afirmaram que viaturas de transporte de pacientes estariam utilizando combustível custeado pelos munícipes e que funcionários vinham sendo orientados a reutilizar materiais descartáveis, como pás adesivas de desfibriladores e máscaras laríngeas.
Salientando que reassumiu a coordenadoria do Samu há apenas 15 dias, Fogolin disse desconhecer tais práticas e garantiu que elas não serão admitidas em sua gestão.
Viatura 4X4
O Samu de Bauru conta, desde 2013, com uma viatura com tração nas quatro rodas, específica para prestar atendimento em locais de difícil acesso, como áreas alagadas, montanhosas ou arenosas. Segundo José Eduardo Fogolin, a ambulância só foi utilizada duas vezes desde então, um baixo aproveitamento que ele, contudo, não considera um caso de “ociosidade”.
“Por suas características, é um veículo com o propósito de fazer poucas saídas, mesmo. Mas ele pode ser utilizado em situações excepcionais como reserva técnica”, pontua.
O coordenador do Samu explica que a viatura de suporte básico de vida que não tem – e nem poderia ter - a mesma altura que uma ambulância comum, o que reduz o espaço para a prestação do socorro dentro do veículo. “Esta limitação o torna um veículo com uma atuação bastante específica. Bauru tem um histórico de enchentes em fim e início de ano e esta seria a única viatura que conseguiria chegar a vias inundadas”, frisa, salientando que a ambulância também pode ser destacada para atuar em outros municípios da região.
Em âmbito nacional, o Samu conta, hoje, com 363 ambulâncias 4x4, sendo que a maioria delas opera em cidades do Norte e Nordeste do País.
Motolâncias passarão a atender outros casos
Bauru conta, hoje, com quatro motolâncias e duas, doadas pelo município de São Paulo, estavam paradas há cerca de um ano por falta de documentação, segundo denúncia feita por servidores ao JC. O novo coordenador do Samu afirma, contudo, que esta pendência já foi regularizada e que, ainda neste ano, as viaturas deverão ganhar nova função.
Ele explica que, atualmente, as motolâncias atendem cerca de 40 ocorrências por mês e, devido à baixa demanda, poderiam ser úteis para prestar socorro a pacientes com menor grau de prioridade dentro da regulação. Exemplos são idosos acamados ou com doenças crônicas, que apresentam febre ou dor e, muitas vezes, nem precisam se deslocar a uma unidade de urgência e emergência para ter o quadro de saúde revertido.
“Com o envelhecimento gradativo da população, é um perfil de atendimento que será cada vez mais frequente. Nosso objetivo é personalizar o serviço de acordo com a demanda da cidade, a partir dos recursos disponíveis”, adianta, salientando que, diferentemente das grandes metrópoles, Bauru não possui um trânsito tão carregado que demande a atuação permanente das motos como forma de reduzir o tempo de deslocamento.