09 de julho de 2026
Nacional

Para Dilma Rousseff, impeachment 'sem crime' é 'machista'

Por Carla Araújo | Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 1 min

Em evento para defender seu mandato, em Aracaju, a presidente afastada Dilma Rousseff reiterou nesta segunda-feira (25), suas críticas ao governo em exercício e disse que o processo de impeachment "sem crime" é machista e que se inspira nas mulheres anônimas brasileiras "que lutam todos os dias".

A presidente afastada afirmou que com mobilização é possível persuadir os senadores para votar contra o seu afastamento definitivo. "Somos capazes de convencer, temos argumentos, a razão está do nosso lado, a democracia está do nosso lado", disse. "Por fim, eu quero dizer que vou lutar para reverter o julgamento no Senado, mas eu tenho certeza de que a força do povo brasileiro é possivelmente o mais forte argumento que nós temos para colocar na mesa. A mobilização, a força e a firmeza de vocês são cruciais nesse processo que vai daqui até o dia da votação do mérito (do impeachment)", afirmou.

Dilma completou dizendo que "eles não têm como se defender do crivo e do julgamento da história". Como tem feito em todos os seus discursos desde que foi afastada, a petista disse que os tempos são "muito difíceis" e que o "golpe" em curso no Brasil não usa tanques nem armas, mas a mentira. "Eles não estão me julgando por um crime. Eles mesmos se confundem, não só a perícia do Senado me inocentou, mas me inocentou também o próprio Ministério Público Federal, mas isso pra eles pouco importa."

'Carneiros'

Dilma também se mostrou contrária ao projeto Escola Sem Partido, que supostamente defende a "neutralidade política, ideológica e religiosa" nas escolas, em tramitação no Senado. "A educação sem partido é na verdade o coroamento dessa visão", afirmou, ressaltando que o projeto impedirá que as escolas formem cidadãos pensantes. "Querem nos transformar num bando de carneiros. Isso é a educação sem partido."