10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Educação política das novas gerações

Rodolpho Pereira Lima - Professor aposentado do magistério estadual.
| Tempo de leitura: 2 min

O jornal Folha de São Paulo (22/07/2016) publicou no Caderno “Mercado”, p. A14, artigo intitulado “Pelo ensino na escola”, de autoria de Bernardo Guimarães (doutor em Economia). O autor ressalta em destaque a afirmação: “Aluno não aprende a pensar criticamente em curso de História e Geografia, mas sim a repetir ladainhas”. O mesmo jornal, no dia seguinte (23/07), Caderno B Cotidiano, publica matéria intitulada “Procuradora questiona Escola sem Partido”.

A matéria informa que o Ministério Público Federal encaminhou ao Congresso Nacional nota técnica em que considera inconstitucional a proposta de incluir o programa Escola sem Partido na Lei de Diretrizes e Bases da Educação. A leitura dessas duas matérias pelos assuntos abordados me fizeram lembrar do falecido professor Sólon Borges dos Reis, que foi presidente do Centro do Professorado Paulista durante 40 anos, de 1957 a 1997, exerceu o cargo de deputado estadual durante cinco mandatos e deputado federal por dois mandatos.

O saudoso e ilustre professor sempre defendeu a necessidade da inclusão no currículo de ensino médio da disciplina “Educação Política”. Entre as obras publicadas pelo professor, encontra-se o livreto “Educação Política: educar para a liberdade - educar para a responsabilidade”.

Sobre a necessidade da inclusão no currículo do ensino médio d “Educação Política”, justificava o professor afirmando: “No complexo da educação integral, a educação política constitui uma lacuna. Se quisermos o aprimoramento das instituições, a implantação e a consolidação de um regime genuinamente democrático, temos que organizar e dinamizar a educação política das novas gerações”.

Ressaltava três medidas, em qualquer hipótese, essenciais à educação política das novas gerações: 1 - informar as gerações novas sobre o significado, as instituições, a estrutura e o desenvolvimento do processo político; 2 - ensejar a prática da dinâmica da política por parte dos jovens; 3 - despertar o espírito crítico nas gerações que crescem, com a convicção de que uma geração bem informada não será presa a qualquer totalitarismo de esquerda, nem de direita.

Todo e qualquer professor, desde o que alfabetiza até o da Universidade, seja qual for sua especialidade, deve ser também professor de vernáculo, moral, civismo e política. O professor tem, como qualquer cidadão, o direito e o dever de participar do processo político em sua terra, filiando-se ou não a uma organização partidária. Nunca, no entanto, fazer da cátedra que lhe foi confiada instrumento de pregação ideológica, propaganda política ou proselitismo partidário.

A responsabilidade do político é imensa ante a expectativa da opinião pública e principalmente do eleitorado. De um tecnocrata espera-se apenas idoneidade e capacidade. De um político, exige-se também espírito público.

Concluindo, é oportuno ressaltar a necessidade da educação política das novas gerações, fazendo-se constar o currículo do Ensino Médio a disciplina Educação Política, lembrando sempre que,a ditadura, quando se implanta, é rápida. O governo pensa e decide, imediatamente, pelo povo. Descarta-se, desde logo, a liberdade. A participação é suprimida. O cumprimento do dever é exigido de forma autoritária.

Infelizmente, a educação política das novas gerações continua entre nós uma lacuna. Quando será preenchida?