10 de julho de 2026
Geral

Radar, cavalos apreendidos e luz: depois da tragédia, vem o "remendo"

Marcele Tonelli, Nelson Gonçalves e Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Reprodução Facebook
Roger Patrick Rivera da Luz, 20 anos, deixou filho de 5 meses

Depois do acidente que matou Roger Patrick Rivera da Luz, de 20 anos, anteontem, a Emdurb iniciará, na próxima semana, um estudo para implantação de radar fixo na avenida José Vitório Dota, que interliga o Jardim Flórida ao Núcleo Habitacional Nobuji Nagasawa (Bauru 2000) e transpõe o Córrego Barreirinho. Além disso, quatro cavalos foram apreendidos próximo ao local da tragédia (leia mais ao lado).

Em relação ao radar, o presidente da Emdurb, Nico Mondelli, diz que já havia constatado a necessidade do equipamento no local há 20 dias, quando esteve lá, acompanhado do vereador Miltinho Sardin (PTB).

Em 1 de julho, o parlamentar, que mora nas imediações e sempre criticou a periculosidade da avenida, já havia solicitado um estudo para instalação de radar no trecho. “Nos dois lados, a avenida acaba favorecendo o uso em alta velocidade e a iluminação pública é medida de segurança de transeuntes e de usuários de carro e moto”, comenta o vereador.

“Por azar e coincidência, a pesquisa de fluxo e velocidade, que é exigida pelo Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) para implantação de radar, seria iniciada hoje (ontem)”, afirma Nico Mondelli.

Apesar da urgência, o estudo foi adiado para a terça-feira da semana que vem. Segundo Mondelli, uma equipe esteve ontem no trecho, mas teria sido hostilizada por pessoas ainda indignadas com a tragédia. “Para evitar confusão, voltaremos lá para a pesquisa na outra semana”, diz Nico.

Também depois do acidente, o secretário municipal de Obras, Sidnei Rodrigues, prometeu entregar a iluminação da via em 45 dias, conforme o JC noticiou ontem.

Duas mortes

Na noite de anteontem, Roger Patrick Rivera da Luz trafegava pela avenida em trecho de declive, sem iluminação pública ou equipamento redutor de velocidade, quando atingiu um cavalo, que cruzou a pista e também morreu.

Mas esse não foi o primeiro acidente no local.  Em junho de 2015, dois meses depois de a via ser inaugurada, André Marques dos Santos, de 24 anos, morreu ao tentar fazer uma curva existente no local, após perder o controle de sua moto.

Na época, o JC publicou alertou sobre os riscos que cercavam a avenida e a Emdurb informou que já havia iniciado estudos para implantação de redutores de velocidade.

“A pesquisa pode até ter sido feita, mas não é usual colocar radares em vias recém-inauguradas”, explica Nico Mondelli.

Ele também esclarece que a avenida não pode receber lombada por apresentar declive com mais de 6 graus de inclinação, regra prevista em legislação.

4 equinos apreendidos

Ontem, mais quatro cavalos foram apreendidos pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), próximo ao local da tragédia. O empresário Edvaldo Batista dos Santos, 31 anos, testemunhou o acidente e afirmou que, após a ocorrência, se deparou com mais quatros cavalos soltos nas imediações, mais precisamente no Jardim Silvestre 1.

“Há dias, vejo esses cavalos perambulando por aqui. A gente aciona o CCZ, mas eles não vêm buscá-los. Ontem, por causa do ocorrido, resolveram atender o nosso chamado e resgataram os animais. Usaram uma ‘carretinha’ e tiveram que fazer duas viagens”, criticou.

Diretor da Divisão de Vigilância Ambiental Departamento de Saúde Coletiva, Daniel Godoy Tarcinalli afirma que o órgão atende todas as solicitações da população. “Muitas vezes, os funcionários são ameaçados pelos proprietários e impedidos de fazer o resgate”.

Sobre a ocorrência, Tarcinalli explica que o caminhão usado no transporte dos animais está no conserto e, por isso, foi necessário utilizar a “carretinha”. O CCZ informou ainda que, há três meses, não recebe reclamação de animais soltos no bairro onde ocorreu o acidente anteontem.