08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Costas vermelhas

Prof. Reginaldo Furtado
| Tempo de leitura: 1 min

Houve um tempo em que podíamos caminhar pelas ruas sem medo da cor...

da cor que usávamos. O amarelo da bandeira brasileira representava o sol de nossa terra. O verde, nossas matas. “Coxinhas”! O vermelho à noite era atraente e chique: vestido vermelho. Lingerie vermelha era excitante. Tornou-se subversivo; petralha broxante! Como tratariam Warte Neeeeto se vivo estivesse? Mas tudo isso agora é passado. Não se ouvem mais panelas; as luzes dos prédios não piscam mais. Já podemos caminhar pela rua com a cor que quisermos; ninguém nos incomoda mais. A vida voltou ao normal(?) Só o chicote estala mais alto e forte sobre os ombros dos que não tinham ou não quiseram panelas para bater. Não bateram! Agora apanham! Não adianta gritarem! A TV está muda. Os jornais estão em branco. As rádios estão mudas. E nossas costas estão vermelhas. A Justiça nunca esteve tão muda e cega; por isso nossas costas estão vermelhas! Trocaram o verde da esperança pelo verde do dólar americano. Serra, Serra, Serra dá... dó. As torturas continuam, do velhinho aposentado às crianças nas escolas. O chicote estala em Brasília, suas costas doem no sertão. E nossas costas estão vermelhas! Desculpem-me! Mas não dá para ser feliz vendo infelicidade e tirania alastrando-se mais do que a dengue ou a gripe H1N1(ao menos aqui deu empate). Pesquisam se no Brasil há vida fora do próprio umbigo. Enquanto o resultado não sai, as costas continuam vermelhas.