10 de julho de 2026
Regional

Empresas escrevem sua história com apoio direto de incubadoras

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

As incubadoras de empresas chegaram ao Brasil na década de 80 como escolas de empreendedorismo. Passados mais de 30 anos é possível afirmar que elas são responsáveis pela redução do índice de mortalidade das empresas jovens.

Nos modelos tradicionais de negócio, o índice de mortalidade nos primeiros anos de vida empresarial pode chegar a 70%. Quando comparado com empresas incubadas, este mesmo índice cai para 20%. 

Na região de Bauru, várias cidades possuem incubadoras e algumas se destacam por oferecer serviços nada tradicionais.

A região Sul do país é considerada o maior polo de incubadoras concentrando 46% delas. No sudeste estão 34% e no nordeste 13%, enquanto no norte estão 3% e no centro oeste 4%. O Rio Grande de Sul é o estado com maior número de incubadoras, totalizando 67, seguido de São Paulo que soma 37 e Minas Gerais com 19. Os estados do Paraná e Rio de Janeiro dividem a quarta colocação com 17 incubadoras cada um.

Existem, ainda, 16 em Santa Catarina, 13 na Bahia; 10 em Alagoas; 08 em Pernambuco; 05 no Distrito Federal; 05 no Pará; 04 no Ceará; 04 no Mato Grosso do Sul; 03 em Goiás; 02 no Rio Grande do Norte e um em cada um dos estados: Amazonas, Amapá, Espírito Santo, Maranhão, Paraíba, Piauí e Sergipe.  

Em Lins (102 quilômetros de Bauru), a Agência de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico (Adetec) trabalha na capacitação de empreendedores, desde a discussão do negócio no qual pretendem investir até a formalização da empresa no mercado de negócio, passando quase sempre pelo processo de incubação. 

As empresas graduadas pela Adetec, que passaram pelo processo de aprendizagem na incubadora, apresentam índices de mortalidade ainda menor, cerca de 10%.

Em Boracéia (41 quilômetros de Bauru) uma creche que foi desocupada recentemente vai acolher empresas. Algumas são da cidade e há outras que estão chegando para diminuir o número de desempregados.

A cidade cede espaço para a instalação e qualifica a mão de obra com a metodologia do Senai. O incentivo aos empreendedores tem por objetivo gerar empregos aos moradores.

A cidade de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) quer instalar sua incubadora, mas a crise e o período eleitoral esfriaram o processo. Os contatos com Ciesp e Fiesp já foram feitos e, numa recente reunião entre empresários e prestadores de serviços, geraram contratos. Os idealizadores do projeto pretendem retomar as discussões após 5 de outubro.

Em Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) a construção de uma incubadora de empresas está em fase final. São 600 metros quadrados que serão divididos para acolher de 6 a 10 empresas de pequeno porte. Na cidade existe um centro empresarial que concentra projetos para fomentação de pequenos negócios.

Há, inclusive, uma escola de negócios que profissionaliza mão de obra e o Negócio Rápido, que desburocratiza a vida do empreendedor.     

Antiga creche deverá ser transformada em ‘berço’ para os novos negócios

Em Boracéia, a prefeitura vai usar uma antiga creche para acolher duas pequenas empresas que funcionam na casa dos proprietários. Segundo o prefeito, Marcos Vinício Bilancieri, foram  construídas duas novas creches.

“O imóvel antigo será ocupado por duas empresas que são de fora. Há, ainda, algumas que estão dentro de casa. Pessoal não tem espaço para crescer. Como estamos num ano eleitoral e eu não poderia criar diversos serviços públicos agora, em obediência à legislação, pagarão um aluguel barato até que possa ser feita a concessão.”

Ele explica que, no município, há empresas de pequeno porte que aguardam espaço para ampliar os negócios. “Tem uma empresa de alimento que está  funcionando na casa. Querem crescer e vão empregar mais. Outra, de confecção, uma de artigo de festas e uma de bordado estão na mesma situação. Os incentivos ajudam elas a se manterem vivas.”

O objetivo principal, segundo o prefeito é gerar empregos na cidade. “Mesmo que seja empresa familiar gera empregos para a família. Muitos moradores daqui trabalhavam na região, alguns postos de trabalho foram fechados. Uma empresa de avicultura da região deixou muitos moradores da área rural, desempregados.”

A cidade oferece espaço com a terraplanagem. “Depende do caso. Temos outras empresas que oferecemos o barracão. Estamos para fazer a concessão  para uma empresa de papelão. Temos uma parceria com o Senai e qualificamos a mão de obra necessária para eles.”

No ano passado, Boracéia cresceu no número de contratações, informa o prefeito.

“Estou em negociação com uma empresa de grande porte de Bauru. Mostrando o que podemos oferecer aqui. É um projeto ambicioso que envolve quase 500 mil metros de terra.  Ela está procurando um espaço para crescer.” 

Pederneiras vai discutir incubadora depois das eleições 

A cidade de Pederneiras ensaia um projeto para ter uma incubadora de empresas. O período eleitoral e a crise econômica esfriaram a ideia, que será retomada em outubro. Os idealizadores, que não terão seus nomes citados em respeito à legislação eleitoral, admitem que o  projeto vai necessitar da parceria com a iniciativa privada.

A Prefeitura, assim como a Câmara, não tem condições financeiras de arcar com profissionalização da mão de obra e irá conceder espaço. Parceria entre as maiores empresas da cidade e a administração daria viabilidade ao projeto. Exemplo: são as empresas de induzidos que terceirizam o serviço de enrolar e retificar as peças. As grandes fazem a venda.  Essas empresas poderiam patrocinar o treinamento dos empreendedores menores. 

Porém, as grandes reduziram o número de funcionários e não mostraram interesse na parceria nesse momento de crise.

Essas empresas tinham interesse em atuar junto conosco. Manteve-se contato com o Ciesp, Senai e, na última semana, foi marcado um encontro através do Fiesp. O contato de empresários da região, Bauru, Botucatu e Pederneiras gerou alguns negócios.

O período político é outro obstáculo para tirar do papel o projeto da incubadora. “Estamos com uma certa dificuldade de conseguir apresentar projetos que podem ser encarados como promoção política. Acreditamos que, a partir do dia 5 de outubro, vamos retomar o projeto de uma forma mais concreta”, completam os idealizadores.