09 de julho de 2026
Articulistas

Precisamos de uma cultura da vida e da paz

Valmor Bolan
| Tempo de leitura: 2 min

O atentado em Nice (na França) e o golpe na Turquia foram dois acontecimentos que mostram a escalada da violência no mundo, cada vez mais preocupante pelo grau de barbárie que assumindo ações imprevisíveis, com custos altos em vidas humanas. Na Turquia, em uma só noite morreram mais de 265 pessoas, com prisões de juízes e tantos outros envolvidos, mostrando a fragilidade das instituições em toda a parte do planeta. Há uma espécie de acirramento de ânimos, com a fomentação de ódios e intransigências, não só lá fora, mas também aqui no Brasil, percebemos um clima de exacerbações. E isso não é bom. Precisamos cultivar a cultura da paz, do entendimento, do diálogo. Só assim conseguiremos resolver os conflitos, os impasses, as diferenças, em todos os campos da atividade humana.

As pessoas parecem estar ficando cada vez mais impacientes, perdendo muito fácil o controle de suas emoções, partindo para o tudo ou nada, como se não houvesse alternativas. Isso mostra um estado de desespero, de descrença, de crise no sentido da vida, que afeta principalmente os jovens. Há também a banalização da vida, acentuada pela sociedade do consumo, do hiperindividualismo, da coisificação humana, em que as pessoas se transformam em objetos, e deixam de serem sujeitos da História pessoal e social. Há abusos de poder em todas as instâncias da vida, dos relacionamentos. Por isso precisamos começar um trabalho dentro das escolas, principalmente, para uma cultura da vida e da paz, com uma ética da solidariedade, e que o sentido da vida seja revalorizado, para que as pessoas encontrem motivos para a alegria de viver.

Os atentados, as guerras, os conflitos regionais, as ameaças, o terrorismo, e todas as demais insurgências políticas podem ser contidos com uma cultura que afirme os valores da dignidade da pessoa humana, os valores da concórdia, do convencimento pela persuasão, pelo convencimento de ideias, pelo respeito pelas diferenças, pelo verdadeiro sentimento de civismo e por ética. Hoje, há muito conhecimento disponível, que deve ser otimizado para uma vida mais humana. Temos que incansavelmente nos empenhar por um mundo melhor, nesse sentido. Por isso, a educação é importante nesse processo de formação de princípios e valores, para uma cultura da vida e da paz.


O autor é doutor em Sociologia e Especialista em Gestão Universitária