10 de julho de 2026
Articulistas

A família e a cultura!

Valderez de Mello
| Tempo de leitura: 2 min

O ninhal da cultura é a família, educadora-mor, que transmite valores usos e costumes advindos de geração para geração. É em família que a sinapse da história acontece, na sequencia ritmada entre o partir e o chegar, onde o homem tece o elo da  herança cultural e o presente recebe o passado e a história vai sendo construída, ora a falar de ruínas, ora de flores . É a família, o grupo, a tribo, que ao deambular do tempo, registra usos e costumes que vão se arraigando na alma de seus sucessores. De nada adianta querer resgatar  usos e costumes se não foram gravados na alma  durante a infância. De nada adianta incentivar uma cultura fantasmagórica, onde não existiu a convivência.

Projetos culturais mirabolantes, servem apenas para registrar ações políticas. Urge resgatar a herança cultural  através do conhecimento assim como se torna imperativo iluminar a história para que a juventude idolatre os usos e costumes de sua terra e  sua gente.

A cultura de uma nação se mede através do comportamento da população, portanto, imperativo conhecer a importância do zelo pela escola, do respeito aos mestres, da conservação do patrimônio público, enfim, conviver com regras de educação básica. A cultura é um conjunto de atitudes que vão se aglutinando no dia-a-dia e, jogar papel no chão,  chutar latas de lixo, rabiscar muros, maltratar animais, utilizar linguagem chula e ofensiva, são atitudes que denotam claramente ausência total  de educação e nítida  ausência de bons hábitos, além  de escancarada falta de cultura. Quando avaliamos um povo, logo observamos seus jardins,  praças,  caminhos,  escolas, o modo de vestir, falar e tratar seu semelhante. Um povo que após a festa descarta o lixo sobre os canteiros da praça, que adoece por falta de água e sabão, sem escolas de qualidade e que sobrevive as custas de migalhas de um governo corrupto e falido, dificilmente conseguirá escrever a própria história. E de nada adianta, incentivar pantomimas se a alma resta insatisfeita, sem rumo certo  e em estado de agonia.

O maior projeto cultural é aquele que resgata a alma e o coração da infância!  Esse resgate há de ter início no berço, no lar, e não nas ruas abraçado ao abandono. Não podemos falar em cultura sem priorizar o alicerce de sustentação de um povo que é a educação  advinda do convívio familiar, pois às escolas cabe oferecer instrução. Uma educação de faz de conta, onde a criança é descartada antes dos mil dias de amor, sepulta a cultura em cova rasa e faz abrolhar almas em estado de aflição a transbordar violência!


A autora é advogada, pedagoga, psicopedagoga, autora de ‘Quintal de Sonhos’ (1981)