09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Filosofia e sociologia no Brasil

Roberto Carlos Simões Galvão, professor de Sociologia no ensino básico
| Tempo de leitura: 1 min

A Filosofia tem tradição no Brasil? O professor Cláudio Ferreira Costa, doutor em Filosofia pela Universidade de Konstanz (Alemanha), recentemente se referiu ao Brasil como um grande Saara filosófico. Com efeito, não há obra de autor brasileiro que sirva de referência na área para além das fronteiras do país. Quando muito o Brasil teve e tem bons professores de Filosofia. Ainda que se observe um número expressivo de publicações versando sobre o assunto, algumas de excelente qualidade, de modo geral o pensamento filosófico brasileiro carece de originalidade.


Por outro lado, nas denominadas Ciências Sociais – sobretudo Sociologia e Antropologia – o Brasil produziu nomes de expressão com notório reconhecimento internacional. Gilberto Freyre, Darcy Ribeiro, Florestan Fernandes e Fernando Henrique Cardoso tiveram seus estudos traduzidos para dezenas de idiomas. Discorrendo sobre o tema, Jacob Bazarian pontua que “o Brasil foi um dos primeiros países a criar cátedras de sociologia, graças ao que hoje temos grandes centros de pesquisas sociológicas e excelentes sociólogos formados no espírito científico”. (O problema da verdade. São Paulo: Alfa Ômega, 1985).


Independentemente da atenção que o país possa ter dispensado a cada uma das disciplinas ao longo de sua história, vale lembrar que Filosofia e Sociologia tornaram-se matérias obrigatórias nas escolas de nível médio graças à Lei 11.684 de 2008, sancionada sob o governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No ensino básico o fomento ao pensamento crítico tem despertado vocações para o magistério, para a pesquisa e a reflexão. Muito principalmente, tem edificado uma cidadania ativa, politizada e ciente do lugar que ocupa na construção de uma sociedade melhor.