Recentemente abordei o estágio atual da economia brasileira e mencionei que na minha percepção operamos em formato de U, sendo que neste momento estamos na última etapa da “barriga” do U. Para entender melhor. Nos últimos anos a economia brasileira perdeu musculatura. A queda no Produto Interno Bruto foi evidente, sendo que de baixo crescimento o País entrou em recessão. Serão dois anos seguidos (2015 e 2016) de queda expressiva do PIB. Isso justifica a leitura da primeira perna do U, ou seja, queda.
Como colocado, depois desta etapa de queda, o País observa desempenho não uniforme. Alguns setores já apontam para recuperação, sondagens indicam retomada da confiança dos agentes econômicos, mas a constatação é que o pior ainda não passou, principalmente quando o olhar é em relação à retomada do nível de emprego. Últimos dados apontam para elevação do nível desemprego.
Este desempenho não uniforme justifica a barriga do U (fase de pequena queda, para em seguida atingir a base mais baixa, dando início à recuperação em seguida). Neste contexto, como devemos nos comportar? Na minha avaliação, com cautela, mas com esperança. Em qualquer que seja o campo de atuação profissional, e mesmo na condução das finanças do lar, a cautela ainda deve ser a praticada, entretanto, já é possível ir tirando o pé do freio e testando o acelerador. O indicativo é que isso deve ser realizado com muita sincronia, sem precipitações.
Neste momento é como se todos nós estivéssemos descendo uma ribanceira, e estamos nos aproximando da região mais plana, e logo à frente vislumbramos estrada indicando subida. Nesta etapa ainda não é possível pensar em pisar forte no acelerador. Tem que conhecer o terreno que está circulando, analisar os obstáculos ali colocados, e quando tivermos certeza que a pista de subida está em boas condições de ser utilizada, acelerar, mas sabedores que não será um trecho de alta velocidade, portanto, dirigir com todo cuidado.
A velha frase de que “gato escaldado tem medo de água fria” se encaixa neste estágio de nossa economia. Na prática devemos sair mais maduros, depois destes anos de sofrimento. As organizações devem crescer com as lições da crise, e a produtividade deve ser a aposta principal: é o tal de fazer mais com menos. Não há mais espaço para improviso. O planejamento, que já era fundamental, agora passa a ser essencial. Tem que saber para onde ir e para tanto é preciso apostar em processos, qualificação profissional e em crescimento sustentável.
Nas finanças do lar está mais evidenciado que há desperdício de recursos. O tempo de vagas magras nos ensinou a tirar leite de pedra, e que é possível contemplar qualidade de vida, sem ostentar. Quem reduziu os gastos percebe que é possível conduzir a vida familiar na maneira mais simples. Isso tem que ser um aprendizado para o resto da vida. Ainda há o embate político pela frente, que pode ou não prejudicar o cenário atual, mas insisto: a cautela ainda deve prevalecer, mas a esperança de dias melhores deve ser praticada.
O autor é economista e articulista do JC