Tenho tido medo de andar por Bauru, são tantos animais soltos nas ruas, perdidos ou abandonados, que nos apavora. Faço parte de um grupo de Proteção Animal, somos amigas que nos unimos por um único ideal: ajudar a salvar vidas. Mas a cada dia parece que enxugamos gelo, recolhemos dois e ficam quatro, cresce assustadoramente o número de abandonos a cada entrega de chaves do MCMV, mesmo não sendo proibida a permanência de animais nos apartamentos, os donos insistem em abandonar, deixando seus animais nas ruas sem rumo, doentes, perdidos, assustados. E ainda acham que nós, da causa animal, temos obrigação de recolher ou achar um lar para seus animais, não ganhamos um tostão do município nem do governo para isso, tudo que arrecadamos vem somente dos eventos que fazemos, seja bazar, pastelada, venda de copos etc...
E tudo vai para exames, consultas, medicamentos, ração, cirurgias e na maioria das vezes colocamos do bolso porque nunca dá. Ajudamos não por obrigação e sim por amor, o mesmo amor que você deveria ter para com quem você escolheu para ser seu amigo. Cada animal que o homem escolhe para seu companheiro tem o direito a uma duração de vida conforme sua natural longevidade, o abandono de um animal é um ato cruel e degradante.
A superpopulação de cães e gatos em centros urbanos ocasiona inúmeros problemas: transmissão de zoonoses, como raiva, leptospirose, leishmaniose, entre outras; agressões envolvendo pessoas ou outros animais; contaminação ambiental por dejetos e pelos e dispersão de lixo; distúrbios de trânsito de veículos, determinantes de acidentes, atropelamentos; danos à propriedade pública ou particular. Mas eles não são os culpados e sim seus donos. O que fazer?
Em função da complexidade do assunto, o planejamento de políticas municipais para a defesa e proteção dos animais deverá compreender ações de curto prazo, objetivando promover o entendimento do cidadão que possui animais sobre sua responsabilidade pela guarda responsável, bem como apresentar soluções de médio e longo prazo para que se efetive a redução do problema. Porém, sua adoção precisa ser contundentemente dirigida, sob o risco de ferir se a intenção ao se dispersar as ações entre os setores envolvidos na sua implantação de forma não sintonizada. Os objetivos pretendidos só poderão ser alcançados pela interação da ação governamental de diversas secretarias e da coletividade.
Além da necessidade de programas permanentes visando o controle populacional, faz-se necessária a implantação de medidas de coibição a maus tratos através de ações educativas visando mudanças de valores e atitudes, de conscientização da população para uma convivência harmoniosa com os animais.
Sem essas ações o que se constata no dia-a-dia são animais expostos a práticas cruéis como envenenamentos, atropelamentos, torturas, mutilações devido à falta de compreensão das pessoas de que os animais que se encontram abandonados são vítimas da insensibilidade humana e da falta de atenção dos órgãos públicos às suas necessárias condições de vida. Tudo isso seria possível se Bauru tivesse uma secretaria de proteção animal, coisa que não tem, infelizmente. Desejo que o próximo governante da cidade seja mais ligado a questões ambientais, porque esse só foi quando era pra ganhar voto, depois nos esqueceu. Sem mais.