08 de julho de 2026
Regional

Desocupação é marcada por protesto em Jaú

Lilian Grasiela com Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Divulgação
Protesto teve início pelo MST na avenida Anna Claudina, na entrada de Jaú, ontem de manhã

Atendendo a liminar judicial, cerca de 700 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) desocuparam nessa sexta-feira (5) a Usina Lambari, do Grupo Atalla, em Jaú (47 quilômetros de Bauru). Na sequência, o grupo realizou um protesto pacífico pelas ruas da cidade, seguido de ato político na Praça da Matriz.

Conforme divulgado pelo JC, a ocupação ocorreu na última terça-feira (2). O MST reivindica a área de cerca de 1.000 hectares, que está arrendada para a Raízen, para reforma agrária e pagamento de dívidas trabalhistas.

No mesmo dia, um representante da usina Central Paulista de Açúcar e Álcool de Jaú, que tem a posse e propriedade da área desativada, ingressou judicialmente com um pedido liminar de reintegração de posse.

A Justiça de Jaú concedeu prazo de 48 horas ao MST para desocupação voluntária do imóvel, sob pena de uso de força policial para a retirada do grupo e pagamento de multa de R$ 50 mil por cada dia de descumprimento. Após conversa com a direção do movimento, ficou acertado que as famílias deixariam a área nesta sexta-feira (5). Pela manhã, elas cumpriram o acordo e seguiram até a avenida Anna Claudina, próximo ao acesso à SP-225.

Do local, por volta do meio-dia, os sem-terras saíram em passeata por diversas ruas de Jaú. A concentração do grupo ocorreu na Praça da Matriz e o protesto contra o Grupo Atalla foi encerrado com um ato político.

Furto

Assim que o MST desocupou a área da Usina Lambari, foi registrado boletim de ocorrência (BO) comunicando o furto de peças de bronze, fios de cobre, ferramentas, botijão de gás, extintores de incêndio e lavadora de alta pressão.

A denúncia será investigada pela Polícia Civil. A reportagem não conseguiu localizar representantes do MST e Grupo Atalla para falar sobre o caso.

Entenda o caso

O movimento alega que, desde novembro de 2007, quando teve início arrendamento de usinas em processo de falência, mais de 3 mil trabalhadores foram demitidos no estado sem que houvesse acerto dos direitos trabalhistas.

Segundo os sem-terras, o Grupo Cosan (encampado pela Raízen) pagou antecipado por cinco anos de arrendamento ao Grupo Atalla, mas os trabalhadores demitidos não receberam valores das rescisões a que tinham direito.

Com base em informações fornecidas por sindicatos da região, o MST calcula que existam aproximadamente 700 ações judiciais movidas por ex-funcionários contra o Grupo Atalla tramitando nas duas Varas do Trabalho de Jaú.

Fora da lista

Em nota, o Incra disse que existem imóveis rurais do Grupo Atalla passíveis de adjudicação (reivindicação por conta de dívidas com a União) em Jaú, mas explicou que nenhum deles está na listagem prioritária de reforma agrária do órgão.

“Também não encontramos em nossos registros nenhum imóvel denominado Fazenda Lambari pertencente ao Grupo Atalla, em Jaú ou região”, declarou. Segundo o Incra, a adjudicação leva em conta critérios como tamanho e potencial para assentamento e eventuais pendências, como hipotecas.