09 de julho de 2026
Política

Lixo levado a aterro despenca devido a crise

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr./JC Imagens
Quantidade de lixo levado ao aterro privado caiu em mais de 1 milhão de kg em relação a 2015

Julho registrou recorde na queda da destinação de lixo de Bauru a aterros sanitários. Este foi o segundo mês que os resíduos domésticos da cidade foram levados a Piratininga, mas a Secretaria do Meio Ambiente e a Emdurb descartam qualquer relação do fato com a mudança na rota os materiais descartados pela população. A redução de até 14% no volume é atribuída pelos gestores públicos à diminuição no consumo das residências, como consequência da crise econômica.

Ao longo dos 31 dias do mês passado, foram recolhidos das ruas e transportados ao aterro privado da cidade vizinha 6.479,71 toneladas de lixo. No mesmo período do ano passado, haviam sido 7.540,04. A comparação é feita desta forma (mês a mês) para evitar a interferência de fatores sazonais.

Em junho, primeiro mês em que Piratininga começou a receber os resíduos de Bauru, foram destinados 6.762,51 toneladas, volume bem inferior à média de 7.515 registrada no ano passado.

Presidente da Emdurb, Nico Mondelli afirma que o “fenômeno” vem sendo observado desde o início de 2016. Até março, contudo, a quantidade de lixo enterrada se manteve dentro das perspectivas anteriores.

Em abril e maio, quando os materiais ainda eram destinados ao aterro público de Bauru, considerado esgotado pela Cetesb, o volume recolhido já registrava queda, mas os níveis ainda eram superiores aos dois meses subsequentes.

Infelizmente, a redução na quantidade levada a Piratininga não está associada ao sucesso da reciclagem. Ampla reportagem publicada em junho deste ano pelo JC constatou que a coleta seletiva também já não atinge os mesmos volumes de outrora.

“Tudo isso reforça o nosso entendimento. Afinal, o lixo é consequência do consumo das pessoas”, pontua Nico.

O gestor da Emdurb afasta a hipótese de que as frequentes quebras de caminhões da coleta possam estar relacionadas com a redução dos resíduos que chegam ao aterro.

“Quando acontece um problema, a gente corrige, no máximo, dois dias depois. Não há lixo amontoado pelas ruas que justifique essa tese”, afirma Mondelli.

Bom para a Semma, ruim para a Emdurb

Lázara Gazzetta, responsável pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), reitera os argumentos da Emdurb e observa que, pelo viés da sustentabilidade, a redução no consumo, é positiva. Para a pasta, que remunera a destinação final do lixo, o fenômeno significa também menos gastos.

Enterrar as 6.479,71 toneladas de resíduos em Piratininga em julho custou R$ 541.055,78 à Prefeitura de Bauru. Se o volume de lixo registrado no mesmo mês do ano passado tivesse se repetido, o valor seria de R$ 629.593,34.

A Semma paga R$ 83,50 por cada tonelada de resíduos destinada ao aterro privado. Quando os materiais ficavam por aqui, o preço era de R$ 68,00.

Se um lado comemora a redução no volume de lixo, o outro se preocupa. Isso porque a Emdurb, que já gastou mais do que arrecadou no primeiro semestre de 2016, recebe cerca de R$ 135,00 por cada mil quilos coletados. Ou seja, o “fenômeno” afeta negativamente suas receitas.

Mais caro

Como adiantou o JC, a empresa pública protocolou junto à Prefeitura pedido para majorar em 18% o valor cobrado do município pela coleta de lixo.

O presidente Nico Mondelli alega que o preço do serviço não é reajustado há dois anos e já afirmou que a Emdurb está gastando mais para transportar os resíduos até o aterro de Piratininga.

Recebia e controlava

Com a destinação do lixo para Piratininga, a Emdurb deixou de receber por tonelada enterrada, mas, até então, prestava e era remunerada pelo serviço, mas promovia a pesagem dos materiais na balança do aterro municipal sem o acompanhamento da Semma, que paga pela destinação.

Lázara Gazzetta minimiza o fato, alegando que os funcionários da Emdurb, então responsáveis pelo controle, são servidores públicos da mesma forma que os funcionários da pasta que comanda.

As balanças que medem a quantidade de lixo, destaca ela, são eletrônicas e aferidas pelo Inmetro. Os motoristas dos caminhões pegam o ticket emitido após a pesagem.