11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Pesquisa coloca Bauru no "top 20" de profissionais mais felizes

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr./JC Imagens
"Aqui, tenho maior prospecção de emprego e o custo de vida não é alto”, diz Luís Felipe, que veio de Pirajuí para Bauru

Você é mais feliz trabalhando em Bauru do que seria em uma cidade grande como São Paulo! Pelo menos é o que aponta um estudo realizado por uma plataforma que reúne milhares de profissionais em todo o País, avaliou o nível de satisfação profissional em centenas de empresas.

Com índice de satisfação de 1 a 5, sendo 5 “muito satisfeito”, Bauru atingiu 3,547 de pontuação no gosto geral de acordo com a pesquisa da empresa Love Mondays e foi elencada como a 19.ª cidade com colaboradores mais felizes no País. O município campeão do ranking foi Cuiabá, no Mato Grosso, com nível de satisfação de 3,730 pontos.

Realizado entre julho de 2015 e julho de 2016, o estudo considerou a opinião de 68 mil pessoas. Além da Capital mato-grossense, também aparecem nas primeiras posições principalmente cidades de médio porte como Uberlândia (MG), Vitória (ES), Sorocaba (SP) e São José do Rio Preto (SP) (confira o ranking no quadro ao lado).

a outra ponta da pesquisa, seguem os municípios que tiveram maior nível de insatisfação dos profissionais: São Caetano do Sul (SP), Niterói (RJ), Santo André (SP), João Pessoa (PB) e Osasco (SP).

O resultado surpreende pelo fato de apontar que as cidades consideradas como as mais felizes não são os maiores municípios brasileiros. “Isto pode refletir a satisfação com a qualidade de vida em cidades menos populosas”, pontua Luciana Caletti, CEO da plataforma responsável pela pesquisa.

Mas o que realmente fez com que os profissionais de cidades médias fossem elencados como mais satisfeitos do que os de cidades de maiores? Seria porque conseguem se deslocar mais rapidamente? Ou porque o custo de vida não é tão alto? Ou é por ter qualidade de vida melhor?

A fisioterapeuta Paula Duarte, de 33 anos, responde com facilidade. Há alguns meses, ela deixou a rotina frenética de 12 horas de trabalho por dia em dois hospitais de São Paulo, com folga um final de semana por mês, para voltar à Bauru. “Eu não tinha tempo de curtir a cidade. Aqui, os salários são mais baixos e os profissionais são menos valorizados na minha área, mas parece que o dia rende mais e dá para viver melhor”, considera.

‘Custo-benefício’

Já o advogado Luís Felipe Maggi, de 28 anos, saiu de uma cidade menor, mas também buscou Bauru ao escolher Bauru para o seu “pontapé” profissional.

“Por ora, a cidade atende aos meus anseios. Em Pirajuí, eu teria que ser autônomo e bater de frente com escritórios já estabelecidos. Aqui, tenho maior prospecção de emprego e o custo de vida não é alto. Dá para viver bem”, compara. Por aqui, ele também ganha uma grana extra nas noites, tocando baixo para uma dupla sertaneja em bares e casas de show. “Em Pirajuí, não conseguiria”, cita.

Ele conta que chegou a receber proposta de trabalho na Capital, mas desistiu. “A faixa salarial é maior, mas, por outro lado, tem o aluguel que é muito caro e o transporte público, que não é tão bom. Aqui moro a um quilômetro do escritório”, comenta Luís Felipe.
Em tempo: a Love Mondays é uma plataforma de carreiras do País, com mais de 600 mil faixas salariais e avaliações sobre o ambiente de trabalho em mais de 75 mil empresas. Fundada em junho de 2013, foi eleita a melhor startup da América Latina em duas ocasiões.

Favorável

Com característica geográfica favorável, Bauru acomoda entroncamentos de importantes rodovias. “O município possui atividade econômica diversificada na área do comércio, o que faz com que não sofra tanto assim com a crise, que abalou mais as indústrias”, cita o economista Fernando Pinho. Para ele, no entanto, Bauru poderia estar melhor no ranking. “A gestão pública é de má qualidade. O custo de vida não é tão barato. Em Ribeirão, os aluguéis são mais baixos”, critica. “Mas é uma cidade agradável e acolhe bem pessoas de fora”, completa. Por outro lado, ele avalia a vida em grandes Capitais como oportunidade de ascensão indispensável ao profissional atual.