09 de julho de 2026
Geral

Bauru passa a fazer exame de H1N1 e cai tempo de resposta

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
A diretora do Núcleo de Ciências Biomédicas Virgínia Bodelão Richini Pereira explica as vantagens dos exames moleculares

O diagnóstico molecular para doenças epidêmicas, como a gripe H1N1, está sendo realizado em Bauru. Antes, os testes eram mandados para a Capital. Com a mudança, o tempo de resposta do exame da gripe A foi reduzido para três dias. Em épocas de grande demanda, esse prazo chegou a ser de até 45 dias. A intervenção local ocorreu em razão da descentralização de serviços para o Laboratório Regional de Bauru do Instituto Adolfo Lutz, que fica no Altos da Cidade.

A equipe dos testes da gripe A é coordenada pela biomédica Lívia Carla Ramos Augusto, que concluiu, no início do mês de junho, o curso com especialista no segmento para o vírus H1N1. Vários outros exames de saúde pública realizados em escala pelo instituto também passaram a contar com a técnica de biologia molecular, o chamado PCR. Segundo a pesquisadora e diretora do Núcleo de Ciências Biomédicas do Instituto Adolfo Lutz em Bauru, Virgínia Bodelão Richini Pereira, a técnica já é aplicada na cidade também para os exames de leishmaniose canina e humana, micologia (infecções hospitalares por fungos) e tuberculose.

“Os exames de saúde pública no Laboratório Regional de Bauru passaram a dar resposta para o diagnóstico pela técnica de biologia molecular PCR em tempo real”, conta a pesquisadora, que tem pós-doutorado em micro-organismos. “Os equipamentos em Bauru permitem a realização da técnica de biologia molecular para identificar o DNA ou RNA do micro-organismo”, complementa.

Os exames convencionais também continuam sendo realizados em Bauru. Contudo, além de serem feitos em pequena quantidade, o tempo de resposta é maior e a precisão, menor.

Origem

O Laboratório Regional do Instituto Adolfo Lutz atende 38 municípios das regiões de Bauru, Jaú e Lins. “A porta de entrada para os pedidos de exame pela população são os pronto atendimentos, unidades básicas de saúde, hospitais e penitenciárias. Essas demandas são geradas pela Vigilância Epidemiológica do Estado e o laboratório recebe os materiais coletados para realizar os exames”, menciona.

Até então, os exames dependiam da estrutura do instituto em São Paulo. “As amostras eram enviadas para o Adolfo Lutz na Capital por meio de transporte especializado com o material acondicionado em nitrogênio líquido”.

A estrutura regional do Adolfo Lutz em Bauru conta com o Núcleo de Ciências Biomédicas e o Núcleo de Ciências Química e Bromatológicas. No primeiro setor, estão os laboratórios de sorologia, parasitologia, micologia, tuberculose, bacteriologia, biologia molecular e microbiologia alimentar.

No segundo setor, são realizados exames de demanda da Vigilância Sanitária, atendendo denúncias ou suspeitas de intoxicação por alimentos e por contaminação bacteriana e também da qualidade da água tratada produzida nas estações dos municípios das 38 cidades atendidas.

Meningite?

Conforme o diretor do Laboratório Regional de Bauru, Ricardo Alcântara Santos, o diagnóstico de meningite bacteriana por biologia molecular será o próximo desafio do laboratório regional. O treinamento em Bauru já foi realizado por uma pesquisadora, a bióloga do Adolfo Lutz em São Paulo, Maria Gisele Gonçalves, com duração de uma semana.

O curso realizado em Bauru confirma a descentralização dos serviços, deixando de sobrecarregar a Capital e, assim, agilizando a resposta.

Mais exames e mais rápido

O secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, avalia que a descentralização dos serviços, ao reduzir o prazo para conhecimento dos resultados dos exames, irá garantir tratamento mais preciso aos pacientes. “Com a confirmação ou descarte mais rápido de uma suspeita de H1N1, por exemplo, o médico terá condições melhores para tomar decisões”, pontua.

A mudança também dará maior agilidade para a definição de alterações de procedimentos diante de epidemias iminentes, além de permitir a realização de um número maior de exames. “O laboratório central em São Paulo recebe um grande volume de pedidos de todas as regiões do Estado. Com o serviço descentralizado, perto da gente, certamente teremos maior disponibilidade”, adianta.

Monti espera que, em um futuro breve, o laboratório regional possa contar com técnicos qualificados para realizar, também, exames moleculares para dengue. “Eles nos permitem saber qual subtipo da doença está circulando. E, com esta informação, conseguimos prever se haverá mais ou menos casos da doença ao longo do ano. Estes exames, hoje, são feitos em São Paulo para fins epidemiológicos, mas o resultado demora”, observa.