10 de julho de 2026
Geral

Pokémon Go faz bauruenses se encontrarem nas ruas e praças

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 6 min

Samantha Ciufa
Iramar Leite de Freitas, Cássio Rangel, Caio Vinícius e Danilo Gregio jogam no ponto do Bela Vista

Não havia nem anoitecido e o anfiteatro do Parque Vitória Régia, em Bauru, recebia grupos e mais grupos de pessoas. Não, elas não esperavam por alguma apresentação musical e o final de semana ainda estava longe de chegar. Eram jogadores do Pokémon Go, o game que virou febre mundial e chegou ao País há duas semanas.
Graças ao sistema de realidade aumentada, alinhado ao sinal de GPS, a diversão consiste em caçar personagens, como o boneco amarelo Pikachu, do desenho animado que fez sucesso no final dos anos 90. Só que o jogo estimulou seus adeptos a frequentarem ruas e praças da cidade, ação que, de fato, era habitual no início do século passado. Depois, perdeu a força.
Parece que este voltou a ser um costume entre os bauruenses, como no caso do estudante Nathan Alves Pereira, de 21 anos. Ele chegou ao anfiteatro do Vitória abastecido com uma garrafa d’água e só sairia quando acabasse a bateria de seu celular. Pereira mora em Curitiba, mas sua mãe é de Bauru. O jovem decidiu passar as férias na cidade.
Embora tenha vindo ao município diversas vezes, esta foi a primeira que visitou o parque. “Só passava pela frente, mas gostei do ambiente, é agradável”, revela. Já o repositor André Luis Cervatti Braz, de 23 anos, passou a sair mais de casa e, consequentemente, a fazer novos amigos. “Antes, eu só ficava dentro de casa nas minhas horas vagas”, acrescenta.

Parque cheio

Amigo do repositor, Everton Duarte Martins de Souza, de 22 anos, que está desempregado, também costumava ficar em casa, vendo televisão. “Depois, passei a frequentar o Vitória, que enche de gente diariamente. Sem o jogo, jamais cogitaria a possibilidade de passear pelo parque durante a semana. Só vinha aos finais de semana, quando havia shows”, revela.
O Vitória, inclusive, possui três pokestops - onde os jogadores adquirem itens necessários para o desenrolar do game, como novas pokebolas -, bem como um ginásio - onde acontecem as batalhas com os pokémons de outros caçadores. Recentemente, o portal Social Bauru divulgou os 11 pontos mais movimentados da cidade neste sentido (veja ilustração).
Outro aspecto positivo é que o jogo não aproxima apenas pessoas desconhecidas, mas também aquelas que são da mesma família. A motorista Rita Eid, de 48 anos, passou a dar ainda mais atenção aos filhos. “Disputamos quem caça mais pokémons e aproveito o intervalo do meu trabalho para procurá-los pelo Bosque da Comunidade”, complementa.

Loja está entre dois pokestops e atrai clientes para fazer compras

Tem gente usando o Pokémon Go como estratégia de marketing. É o caso de uma loja de roupas, que fica no Bauru Shopping, cuja região possui nove pokestops e um ginásio. “Por coincidência, a loja fica entre dois pokestops e a gente decidiu chamar os clientes em nossa página no Facebook. Muita gente vem atrás do jogo, entra na loja e acaba comprando”, relata o gerente do estabelecimento, Istimisom Sojo Júnior.
Além da loja, uma escola de informática de Bauru está oferecendo um workshop gratuito com dicas sobre a nova sensação, que virou febre mundial. Serão dados conselhos de como baixar o jogo e a melhor forma de personalizar seu treinador. Dicas mais avançadas, como a elevação de nível, também serão contempladas.

Xô, sedentarismo

Apesar dos problemas envolvendo o game, como gente tendo celular furtado ou estacionando em locais proibidos para caçar os monstrinhos virtuais, os bauruenses estão deixando o sedentarismo de lado, conforme observa o médico veterinário Felipe Da Hora, de 26 anos. Ele relata que passou a sair mais a pé do que de carro. “Ultimamente, as praças andavam vazias e, agora, estão lotadas o dia inteiro”, acrescenta.

Você sabia?

A ansiedade pela estreia do Pokémon Go viralizou por todos os continentes, mas a dos brasileiros se tornou notória, depois que um grupo de hackers invadiu a conta do Twitter do CEO da desenvolvedora Niantic, nos Estados Unidos, e postou mensagens cobrando a vinda do jogo ao País, o 38ª a ter essa “graça” alcançada. 
No dia seguinte à chegada do game ao Brasil, ele já era o aplicativo em dispositivo iOS mais baixado do País, sendo que o segundo e o terceiro do ranking também são programas complementares ao jogo - um simulador e um “radar” para ajudar na caça.

 

Pintor sinaliza pokestop na rua e une os moradores da Vila Dutra

Samantha Ciuffa
Pintor Elvis Damasceno sequer joga Pokémon Go, mas pintou a pokebola na região da Vila Dutra

O pintor Elvis Alexandre Damasceno, de 37 anos, resolveu desenhar uma pokebola na frente de sua casa, localizada na quadra 4 da rua João Quaggio, na região da Vila Dutra. O ato rendeu até o apelido “Pokémelvis” ao trabalhador, uma junção do jogo Pokémon Go com seu primeiro nome. 
O local, segundo ele, é um pokestop, onde os jogadores podem adquirir itens necessários para o desenrolar do game, como novas pokebolas e ovos pokémons. Embora Elvis não saiba jogar, acredita que a iniciativa valeu a pena. “A gente acaba fazendo amizade com o pessoal que mora no bairro e, claro, é também uma forma de divulgar meu trabalho”, frisa.
Elvis se viu deslumbrado diante do comportamento dos jogadores. “Eu via gente na frente de casa até de madrugada para caçar pokémons”, diz. Segundo ele, o ponto favorável ao jogo passou a receber de 100 a 150 pessoas por dia depois que foi sinalizado. 
Porém, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) informa, via assessoria de imprensa, que irá vistoriar o local e, caso constate que o desenho distraia os motoristas, pretende apagá-lo. O órgão ressalta, ainda, que é o único com autorização legal para executar a sinalização viária.

Em caça aos pokémons, 3 motoristas são autuados no Bosque da Comunidade

Três motoristas foram autuados por estacionar seus veículos em locais proibidos, no último domingo, na região do Bosque da Comunidade, em Bauru. Eles disseram à polícia que cometeram a infração para caçar pokémons. Diante disso, o Pelotão de Trânsito sentiu necessidade de alertar os jogadores de que toda brincadeira é válida, desde que moderada. Não vale, por exemplo, transgredir as regras do mundo real em prol do virtual.

É o que reforça o comandante do Pelotão de Trânsito da Polícia Militar (PM) de Bauru, o 1.º tenente José Sergio de Souza. Segundo ele, estacionar em locais proibidos gera multa, que varia entre R$ 85,00 e R$ 127,00, bem como quatro ou cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). “Caso os motoristas não compareçam a tempo, ainda têm seus veículos recolhidos e, além da multa, devem bancar o guincho e a diária do pátio”, acrescenta.
O que mais preocupa Souza é que os condutores fiquem tão desatentos com o jogo, a ponto de se esquecerem de sua própria segurança. “Uma de nossas lutas diárias é convencer os motoristas a não usarem o celular ao volante. Agora, temos de conscientizá-los também a não jogarem enquanto dirigem”, informa. Segundo o comandante do Pelotão do Trânsito, o uso do celular ao volante provoca uma multa de R$ 85,00 e quatro pontos na CNH.
Outros casos
Febre mundial que invadiu o País nas últimas semanas, o jogo Pokémon Go mudou o cenário da cidade. Em qualquer lugar que se vá, é possível ver uma pessoa ou um grupo delas na caça aos monstrinhos. “Nada contra a brincadeira, desde que ela seja feita com cautela”, aconselha o tenente Sérgio. 
Ele teme que alguém seja alvo de furto ou roubo enquanto estiver brincando. “A ostentação do celular e a distração do jogo podem estimular os ladrões”, defende. Inclusive, a reportagem apurou que vários furtos de celular têm sido registrados em Bauru e a polícia acredita que os motivos sejam exatamente os apontados pelo comandante do Pelotão de Trânsito