09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Não foi incidente. Foi crime!

Ivan Garcia Goffi
| Tempo de leitura: 2 min

Li estupefato as explicações do governo do Rio de Janeiro, classificando o tiro dado na cabeça de um soldado da Força Nacional, como um “incidente ocorrido pelo acaso”. Na esteira de cretinices, ainda explicaram que “a viatura errou o caminho e entrou numa área que não deveria”.

Primeiro, porque não foi um “incidente” e, sim, um crime violento. Segundo, que não foi ao acaso. Foi uma ação criminosa deliberada, alimentada pela impunidade e preparada para o confronto armado. Terceiro - e mais odioso - é que a viatura (ou qualquer cidadão) deveria ir onde bem quisesse do território nacional, sem ter áreas proibidas onde devemos fingir que não existem. Não estranhemos se ainda instaurarem sindicância para tentar punir o motorista por ter errado o caminho e dado causa ao tiroteio. Neste Brasil dominado pela inépcia, tudo é possível.

Os índices de violência e mortes nunca foram tão alarmantes, mas tributemos esse fardo ao petismo e à esquerdopatia que influenciou as ações governamentais dos últimos treze anos. As cifras atuais chegam ao inacreditável número de 55.000 mortes violentas por ano! Só no Rio de Janeiro são doze por dia. Um brasileiro a cada nove minutos! Nenhuma guerra civil na atualidade chega sequer perto desse número! Isso ocorre porque há muito o discurso de “prender não resolve” está em voga, inclusive para o marginal menor de 18 anos de idade. De forma doentia, passaram a tratar o bandido como uma vítima da “maldita sociedade opressora e capitalista”. Bastava se levantar a voz contra a violência que o governo federal colocava sua tropa de choque, capitaneada por gente delinquente, para defender a “injustiça social”, bradando que antes de prender tinham que educar, alimentar e acabar com as diferenças sociais. O velho e embolorado discurso do século XIX que não se aplica ao mundo atual há longa data.

Educar, alimentar e acabar com as diferenças é importante, mas é secundário, quando o que se está em jogo é a vida, a paz e a ordem social. Enquanto não assumirmos oficialmente (e sem hipocrisia) que lugar de bandido que confronta com a polícia ou é morto ou é na cadeia por muito e muito tempo, continuaremos vítimas da estupidez dos defensores desse discurso anacrônico e violência que tanto lhes fascina.