10 de julho de 2026
Política

Campanha eleitoral em Bauru começa nesta terça-feira

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

A partir de desta terça-feira (16), candidatos à Prefeitura e à Câmara Municipal estão autorizados a “bombardear” o eleitorado com a propaganda política, de olho nas eleições de 2 de outubro. O arsenal promete ser pesado até porque o tiro tem que ser curto, já que serão 47 dias de campanha. Antes, eram 90. 

Enquanto a movimentação em torno das articulações partidárias começou há meses, o JC foi às ruas e constatou que a maioria dos entrevistados ainda não se apropriou das discussões sobre a disputa eleitoral deste ano e sequer conhece quem são os que pretendem substituir Rodrigo Agostinho à frente do Palácio das Cerejeiras depois de quase oito anos.

Independentemente disso, os cidadãos que conversaram com o JC demonstram estar preocupados com o futuro da cidade e, em comum, garantem: não aceitarão candidatos com as mesmas posturas de outrora e prometem não tolerar envolvimentos com escândalos de corrupção.

Ficha Limpa

Professora da rede estadual de ensino Gleisiane Menezes dos Santos, 20 anos, é taxativa: “Se não tem a Ficha Limpa, não serve para ser eleito”.
Operadora, Paula Fernanda Bueno, 29, diz que este será seu primeiro critério. “Vou pesquisar na Internet para saber quais já se envolveram em escândalos. Uso esse recurso até porque não tenho tempo de assistir às propagandas na televisão, onde, aliás, eles mentem muito”, brinca.

Pé no chão

Boa parte dos entrevistados demonstrou também estar vacinada contra as falsas promessas e garante que não cairá no “conto do vigário”.

“Principalmente daqueles candidatos a vereador, que vão aos bairros e dizem que farão isso e aquilo, sendo que a única tarefa que podem desempenhar plenamente é fiscalizar o prefeito”, ensina o aposentado Nelson Cordeiro, 62.

O vendedor João Paulo Pereira da Silva, 28, relata que, apesar de gostar do período eleitoral, as promessas impossíveis o deixam irritado. 

“Eles sempre aparecem com as obras gigantes, sendo que demoraram mais de 20 anos para terminar uma ponte”, ironiza, referindo-se ao antigo viaduto inacabado, que liga a Vila Falcão ao Jardim Bela Vista. 

O aposentado José Nelson Fabrício, 50, vai além e faz um apelo aos candidatos: “Precisam se comunicar de um jeito com que o povo entenda. Não adianta falar, falar e falar, sem conseguir passar a mensagem de forma clara”.

No corpo a corpo, pelas redes ou na TV

Apesar da aversão que sente à política, até como consequência à turbulência vivida no País, a vendedora Daniele Lopes, 37 anos, afirma que estará aberta às abordagens de candidatos pelas redes sociais na Internet. A campanha está autorizada nas redes, desde que não envolva pagamento para impulsionar publicações.

“Vou parar para ler. Só não sei se esse tipo de propaganda dará resultados. Acredito que não vá me influenciar”.

A avaliação se repete entre muitos dos eleitores com os quais conversou o JC. Alguns já até percebem a proximidade do período eleitoral antes mesmo do início da campanha oficial.

“A gente vê uns três ou quatro no Facebook que nunca curtiam nada do que eu postava. Agora, aparecem em todas as minhas publicações”, brinca João Paulo, que, por outro lado, é fã da propaganda na televisão.

Outros, como José Nelson Fabrício, comemoram a redução dos dois blocos de programas diários no rádio e na televisão dedicados aos candidatos. “Eram de 20 minutos. Agora, vão ser de 10. Quem sabe assim fica menos maçante”.

Corpo a corpo

Existem ainda os eleitores que permanecem distantes das redes sociais e esperam uma campanha à moda antiga.

“Gosto de ser abordado na rua para poder ter a conversa olho no olho com o candidato. O corpo a corpo é muito importante em uma cidade com bairros que têm necessidades muito distintas”, acredita.

Poluição

João Pedro Peres da Silva, 23, se preocupa, por sua vez, com as poluições visual, sonora e ambiental, muitas vezes, provocadas pela propaganda política durante o processo eleitoral.

“Eles chegam prometendo melhorar Bauru, mas já começam fazendo o que é errado, sujando”, lamenta o autônomo.

Menos picuinhas

A maior expectativa de Ariete Cristina Luciano, 27 anos, é de que, nesta campanha eleitoral, os candidatos gastem menos tempo e energia com picuinhas, ofensas e ataques, dedicando-se mais à discussão de ideias.

“Sou de uma cidade pequena e, lá, é assim que a política é feita. Isso afasta bastante o meu interesse porque gera muitas inimizades e o debate sobre o que a população precisa fica em segundo plano”, diz a estudante.